AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Mulher, 78 anos, estava em tratamento para hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemia e incontinência urinária. Realizou cirurgia de revascularização miocárdica. No terceiro dia de pós-operatório, a paciente achava que estava em sua casa, referindo aguardar seu marido chegar do trabalho, não demonstrando ter ciência de que ele já era falecido. Em alguns momentos, parecia mais calma e lúcida, mas alternava esse comportamento com outros de desorganização e discurso incoerente. Durante o dia, tendia a ficar mais sonolenta. Na avaliação, a paciente não colaborava com o exame físico. Mostrava-se perplexa, assustando-se com sons do ambiente, via cachorros caminhando no quarto. Distraía-se com facilidade, não focando sua atenção nas perguntas feitas pelo médico. Durante a noite, ficou agitada, desorganizada, agressiva com a equipe, com tentativas de arrancar os cateteres. Paciente foi diagnosticada com delirium. Em relação ao quadro diagnóstico apresentado, assinale a alternativa INCORRETA.
Antipsicóticos tratam delirium hiperativo, mas NÃO são indicados para prevenção, devido a riscos.
O delirium é uma emergência neuropsiquiátrica comum em idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório. Embora antipsicóticos possam ser usados para controlar a agitação no delirium hiperativo, seu uso para prevenção não é recomendado e pode estar associado a desfechos adversos.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da cognição, com alta prevalência em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório. É um fator de risco independente para aumento da morbimortalidade, tempo de internação e institucionalização. Sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais para um bom prognóstico. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. O diagnóstico é clínico, utilizando critérios como os do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades, polifarmácia, cirurgias de grande porte e privação sensorial. O quadro pode ser hipoativo, hiperativo ou misto. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos). Medidas não farmacológicas são a base da prevenção e manejo, incluindo reorientação, otimização do sono, mobilização e correção de déficits sensoriais. Antipsicóticos (como haloperidol) podem ser usados para controlar a agitação e psicose no delirium hiperativo, mas devem ser usados com cautela e na menor dose eficaz. Benzodiazepínicos são geralmente contraindicados, exceto em delirium por abstinência. O uso profilático de antipsicóticos não é recomendado.
O delirium é caracterizado por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, com desorientação, distúrbios do ciclo sono-vigília, alterações psicomotoras (hiper ou hipoativo) e distúrbios da percepção, como alucinações.
As medidas não farmacológicas incluem reorientação frequente, otimização do sono, mobilização precoce, hidratação adequada, correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos) e manejo da dor.
Os benzodiazepínicos são geralmente evitados no delirium devido ao risco de piora da confusão, sendo reservados para casos específicos como delirium secundário à abstinência de álcool ou sedativos/hipnóticos.
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