UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente de 78 anos, com quadro de bexiga neurogênica, apresenta um quadro de delirium no pós-operatório imediato de prostatectomia. Qual das medicações abaixo é melhor indicada?
Delirium pós-operatório em idosos: Haloperidol é a medicação de primeira linha para controle de agitação e sintomas psicóticos.
O haloperidol é o antipsicótico de escolha para o tratamento do delirium, especialmente em pacientes idosos no pós-operatório. Ele é eficaz no controle da agitação psicomotora e dos sintomas psicóticos, com menor risco de hipotensão e efeitos anticolinérgicos em comparação com outros antipsicóticos mais antigos, sendo administrado em doses baixas e tituladas.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, com alterações cognitivas adicionais. É particularmente comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório, afetando até 50% dos pacientes submetidos a cirurgias de grande porte. O delirium está associado a piores desfechos, incluindo maior mortalidade, tempo de internação prolongado, aumento dos custos hospitalares e declínio funcional e cognitivo a longo prazo. A bexiga neurogênica e a prostatectomia são fatores que aumentam o risco, devido à idade avançada e à complexidade do procedimento. A fisiopatologia do delirium é multifatorial e complexa, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e deve ser feito precocemente. A identificação e correção dos fatores precipitantes são a pedra angular do tratamento. No entanto, quando há agitação psicomotora ou sintomas psicóticos que colocam o paciente ou a equipe em risco, a intervenção farmacológica é necessária. O haloperidol, um antipsicótico de primeira geração, é a medicação de escolha para o tratamento farmacológico do delirium. Ele deve ser usado em doses baixas e tituladas, começando com 0,5 mg a 1 mg por via oral ou intravenosa, repetindo a cada 30-60 minutos se necessário, até o controle dos sintomas. É importante monitorar o intervalo QT. Outras opções, como antipsicóticos atípicos (quetiapina, olanzapina), podem ser consideradas, mas o haloperidol tem um perfil de segurança e eficácia bem estabelecido para esta indicação. A prevenção, com medidas não farmacológicas, é sempre preferível ao tratamento.
Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, privação de sono, dor não controlada, uso de cateteres (como sonda vesical), alterações metabólicas e histórico de delirium anterior. A cirurgia de grande porte, como a prostatectomia, também é um fator de risco significativo.
O Haloperidol é um antipsicótico de alta potência com baixo risco de hipotensão e efeitos anticolinérgicos significativos, o que o torna mais seguro para idosos. Ele é eficaz no controle da agitação, alucinações e delírios, que são sintomas comuns do delirium, sem causar sedação excessiva quando usado em doses adequadas.
As medidas não farmacológicas são a base do manejo do delirium e incluem reorientação frequente do paciente, manutenção de um ambiente calmo e bem iluminado, garantia de sono adequado, mobilização precoce, hidratação e nutrição adequadas, controle da dor e correção de distúrbios metabólicos. A presença de familiares também pode ajudar.
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