Delirium Pós-Operatório em Idosos: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 65 anos de idade encontra-se internado no hospital, no pós-operatório imediato de uma herniorrafia inguinal à direita. Seus exames pré-operatórios apresentaram-se sem alterações. Às 2 horas da madrugada, a técnica de enfermagem recorre ao médico plantonista, pois o paciente é encontrado nu, recusa-se a colocar novamente as roupas, fala coisas sem sentido e não reconhece familiar que o acompanha. Sua cirurgia foi realizada na manhã anterior, sem intercorrências, tendo ele recebido meperidina após o procedimento cirúrgico e metoclopramida devido a náuseas. Não se alimentou o dia todo e, ao exame físico, não se apresentaram alterações. O exame do seu estado mental mostra desorientação; ele não atende pelo nome e não sabe onde está, além de estar hipotenaz e um pouco sonolento. Diante desse quadro, o médico plantonista deve:

Alternativas

  1. A) Prescrever um benzodiazepínico endovenoso para a sedação do paciente e avaliar complicações pós-operatórias.
  2. B) Avaliar a necessidade das medicações em uso, colocar o paciente em um quarto com boa iluminação e prescrever-lhe um antipsicótico, se constatada agitação psicomotora.
  3. C) Conter fisicamente o paciente e iniciar sedação com midazolam endovenoso, enquanto aguarda avaliação psiquiátrica.
  4. D) Manter conduta expectante, dado que esses quadros regridem espontaneamente em poucas horas, e prescrever um benzodiazepínico, se constatada agitação psicomotora.

Pérola Clínica

Delirium → Tratar causa base + Medidas ambientais + Antipsicóticos (se agitação). Evitar BZD!

Resumo-Chave

O delirium é frequente em idosos pós-operatórios; o manejo prioriza a identificação de gatilhos (como meperidina), otimização ambiental e evita-se benzodiazepínicos pelo risco de efeito paradoxal.

Contexto Educacional

O delirium é uma disfunção cerebral aguda caracterizada por flutuação do nível de consciência e déficit de atenção. No contexto pós-operatório, é multifatorial, envolvendo estresse cirúrgico, dor, distúrbios hidroeletrolíticos e polifarmácia. A abordagem 'B' da questão destaca a importância de revisar medicações (como a metoclopramida e meperidina), ajustar o ambiente para reduzir a desorientação e reservar antipsicóticos (como haloperidol em doses baixas) apenas para controle de sintomas psicóticos ou agitação que coloque o paciente em risco.

Perguntas Frequentes

Por que evitar benzodiazepínicos no delirium do idoso?

Os benzodiazepínicos são fatores de risco independentes para o desenvolvimento e prolongamento do delirium em idosos. Eles podem causar sedação excessiva, aumentar o risco de quedas e aspiração, ou provocar uma reação paradoxal com aumento da agitação psicomotora. Seu uso deve ser restrito a casos de abstinência alcoólica ou de benzodiazepínicos.

Qual a relação entre meperidina e delirium?

A meperidina possui um metabólito ativo, a normeperidina, que tem meia-vida longa e propriedades neurotóxicas. Em idosos ou pacientes com disfunção renal, o acúmulo desse metabólito pode causar tremores, mioclonias, convulsões e, muito frequentemente, delirium. Por isso, seu uso é desencorajado na prática geriátrica moderna.

Quais são as medidas não farmacológicas prioritárias no delirium?

As medidas incluem a reorientação frequente do paciente (calendários, relógios), manutenção do ciclo circadiano (quarto iluminado de dia e escuro à noite), presença de familiares, uso de próteses auditivas/óculos e a suspensão imediata de medicações potencialmente deliriogênicas, como anticolinérgicos e opioides desnecessários.

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