Delirium Pós-operatório: Diagnóstico e Sinais Chave

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma senhora de 79 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2, passou por cirurgia para reparação e fixação de uma fratura na coluna vertebral. No segundo dia do pós-operatório, ela começou a apresentar desorientação e confusão mental, chamando as enfermeiras pelo nome das filhas e achando que estava na cozinha de casa. Estava com temperatura de 38,1 ºC.À noite, ela ficou agitada e relatou estar enxergando bi- chos rastejantes na parede. Gritou repetidamente e gemeu a noite toda (“Meu Deus, me tire daqui… Meu Deus, me tire daqui…”), sem conseguir dormir ou deixar os outros pacientes descansarem. Durante a visita diurna com o médico assistente, a paciente apresentou-se calma, lúcida e orientada, conversou tranquilamente, perguntou sobre o seu gato de estimação e a sua própria alta hospitalar. Porém, de noite, apresentou novamente o quadro de confusão e agitação.Qual é o diagnóstico psiquiátrico provável?

Alternativas

  1. A) Transtorno neurocognitivo, demência tipo Alzheimer.
  2. B) Delirium pós-operatório.
  3. C) Transtorno de estresse pós-traumático.
  4. D) Esquizofrenia ou outros transtornos psicóticos.

Pérola Clínica

Delirium: Início agudo, flutuação do nível de consciência/cognição, distúrbio da atenção, frequentemente com piora noturna e alucinações.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório. Caracteriza-se por distúrbio da atenção e da consciência, com alterações cognitivas e perceptivas, que pioram à noite.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, com um curso flutuante. É particularmente comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório, e é um marcador de fragilidade e risco aumentado de morbimortalidade. Sua prevalência pode chegar a 50% em cirurgias de grande porte, como as ortopédicas. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que enfatizam o início agudo, o curso flutuante e a alteração da atenção e da consciência. É crucial reconhecer a flutuação dos sintomas, com piora noturna e períodos de lucidez, como um sinal distintivo. O manejo do delirium envolve a identificação e tratamento da causa subjacente, otimização do ambiente (iluminação, ruído), hidratação, nutrição e mobilização precoce. A prevenção é a melhor abordagem, focando na identificação e modificação dos fatores de risco. Para residentes, a capacidade de diagnosticar e manejar o delirium é essencial, pois impacta diretamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes idosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium?

Os principais sinais e sintomas do delirium incluem distúrbio agudo da atenção e da consciência, com flutuação ao longo do dia. Podem ocorrer alterações cognitivas (memória, orientação), perceptivas (alucinações), distúrbios do sono e alterações psicomotoras (agitação ou lentidão).

Como diferenciar delirium de demência?

A principal diferença entre delirium e demência é o início e o curso. O delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva. Pacientes com demência têm maior risco de desenvolver delirium, mas o delirium não é uma forma de demência.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de delirium pós-operatório?

Fatores de risco para delirium pós-operatório incluem idade avançada, comorbidades (diabetes, doenças cardíacas), polifarmácia, desidratação, infecções, dor não controlada, privação de sono, uso de certos medicamentos (benzodiazepínicos, opioides) e cirurgias de grande porte.

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