AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022
Paciente pós-cirúrgico cardíaco a céu aberto, em sala de recuperação, começa a acordar e falar que quer ajuda para descer do leito, pois quer conversar com seus amigos que estão no restaurante, onde costuma almoçar, no mercado público da cidade. Segundo os argumentos do paciente, estão próximos ao seu automóvel, para o qual aponta, como se estivesse efetivamente estacionado naquele andar do hospital. O médico procura tranquilizar o paciente, porém este, à medida que se recupera do processo cirúrgico e anestésico, fica cada vez mais agitado e agressivo. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA.
Delirium pós-operatório → Transtorno Neurocognitivo Agudo, multifatorial, com alterações de consciência, atenção e cognição.
O quadro descrito é clássico de delirium pós-operatório, um transtorno neurocognitivo agudo e flutuante. É essencial investigar causas subjacentes (metabólicas, infecciosas, medicamentosas, abstinência) e não confundi-lo com transtornos psicóticos crônicos como o transtorno delirante tipo somático, que tem etiologia e curso distintos.
O delirium é um transtorno neurocognitivo agudo, caracterizado por uma perturbação da atenção e da consciência, que se desenvolve em um curto período de tempo e tende a flutuar ao longo do dia. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e pós-cirúrgicos, com uma incidência que pode chegar a 50% em cirurgias cardíacas. Sua importância clínica reside no fato de estar associado a piores desfechos, como aumento da mortalidade, tempo de internação e institucionalização. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação das alterações comportamentais e cognitivas, e pode ser auxiliado por escalas como o CAM (Confusion Assessment Method). É crucial suspeitar de delirium em qualquer paciente com mudança aguda no estado mental, especialmente em ambientes de recuperação pós-operatória. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes, além de medidas de suporte e manejo sintomático. A restrição física e o uso de antipsicóticos (como haloperidol) devem ser cautelosos e reservados para casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco. A prevenção, através da otimização do ambiente, hidratação, mobilização precoce e manejo da dor, é fundamental para reduzir a incidência e gravidade do quadro.
Os principais sinais de delirium incluem alterações agudas e flutuantes no nível de consciência, atenção, orientação, memória e percepção. Pode haver agitação psicomotora ou hipoatividade, e delírios ou alucinações.
As causas são multifatoriais, incluindo estresse cirúrgico, anestesia, dor, infecções, distúrbios eletrolíticos, hipóxia, desidratação, abstinência de substâncias (álcool, benzodiazepínicos) e polifarmácia.
O delirium é um quadro agudo, flutuante e geralmente reversível, com alteração do nível de consciência e atenção. O transtorno delirante crônico é uma condição psiquiátrica primária, de início insidioso e curso persistente, sem alteração primária do nível de consciência.
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