Delirium Pós-Operatório em Idosos: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Uma idosa de 72 anos de idade, com antecedente de HAS e osteoporose, foi admitida no pronto-socorro da ortopedia com diagnóstico de fratura de colo de fêmur após queda de própria altura em sua residência. Segundo seus dois filhos, é totalmente independente e mora com seu esposo. No segundo dia de pós-operatório, o médico foi chamado pela enfermeira do setor para avaliar a paciente, que estava agitada e agressiva com equipe e familiares. Ao chegar no leito, percebeu que a paciente havia sacado todos os acessos venosos e queria se levantar a todo custo, gritando que havia sido sequestrada e tinha de fugir daquele esconderijo para dar parte do sequestro à polícia. Seu filho, que a estava acompanhando desde o início da manhã, disse nunca ter visto a mãe com aquele comportamento e que, uma hora antes, ela estava bem. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico e conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) demência e, com o auxílio do familiar, por intermédio de comunicação verbal, tentar distrair e acalmar a paciente; caso a agitação persista, prescrever memantina oral
  2. B) delirium e, com o auxílio da equipe de enfermagem, conter mecanicamente a paciente no leito e prescrever diazepam intramuscular
  3. C) depressão e prescrever risperidona oral
  4. D) demência e, com o auxílio da equipe de enfermagem, conter mecanicamente a paciente no leito e prescrever midazolam venoso
  5. E) delirium e, com o auxílio do familiar, por intermédio de comunicação verbal, tentar distrair e acalmar a paciente; caso a agitação persista, prescrever haloperidol intramuscular

Pérola Clínica

Delirium pós-op idoso → agitação aguda, flutuante, delírios. Conduta: não farmacológica + Haloperidol IM se persistir.

Resumo-Chave

O delirium é uma disfunção cerebral aguda e flutuante, comum em idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório. A distinção de demência é crucial pela instalação aguda e flutuação dos sintomas. O manejo inicial deve ser não farmacológico, com haloperidol sendo a medicação de escolha para agitação persistente.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, com início súbito e curso flutuante. É particularmente prevalente em idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório de grandes cirurgias, como a de fratura de fêmur, e está associado a piores desfechos. Sua identificação precoce é crucial para um manejo adequado e para evitar complicações. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e deve-se sempre buscar e corrigir os fatores precipitantes (infecções, dor, desidratação, privação de sono, polifarmácia). A apresentação pode ser hiperativa (agitação, delírios), hipoativa (letargia, sonolência) ou mista. O tratamento do delirium prioriza medidas não farmacológicas, como reorientação, ambiente tranquilo, mobilização precoce e presença de familiares. A farmacoterapia, quando necessária para controle da agitação e prevenção de danos, tem o haloperidol como primeira escolha, em baixas doses e por tempo limitado. Benzodiazepínicos devem ser evitados, exceto em delirium por abstinência alcoólica ou benzodiazepínica, pois podem piorar o quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium em idosos?

O delirium se manifesta por alteração aguda e flutuante da atenção e consciência, desorientação, distúrbios do sono-vigília, alterações psicomotoras (hiper ou hipoativo) e delírios.

Qual a conduta inicial para um paciente idoso com delirium pós-operatório?

A conduta inicial é não farmacológica, incluindo reorientação, ambiente calmo, presença de familiar e correção de fatores precipitantes. Se a agitação persistir, haloperidol é a primeira escolha.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

O delirium tem início agudo, curso flutuante e é potencialmente reversível. A demência, por outro lado, tem início insidioso, curso crônico e progressivo, e geralmente não é reversível.

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