SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente masculino, 72 anos, internado na enfermaria para realização de artroplastia de quadril eletiva. Hoje, no 2o pós-operatório, evolui com discurso desconexo em diversos momentos do dia, além de referir que vai para casa pois já terminou o que tinha que fazer naquele ambiente, aparentemente não reconhecendo estar em um hospital. Tais momentos são contornados verbalmente pela esposa e filha. Era previamente funcional, independente e sem problemas cognitivos aparentes. Fazia uso crônico de losartana 50mg/dia para hipertensão arterial e alopurinol 300mg/dia para hipeuricemia, além de clonazepam 0,5mg/dia para dormir, estando em uso de tais medicações durante a internação. Qual medida deve ser tomada para melhor controle do quadro?
Delirium pós-operatório em idosos → manejo inicial não farmacológico e revisão de medicações.
O delirium pós-operatório é comum em idosos, especialmente com fatores de risco como uso de benzodiazepínicos. A abordagem inicial deve priorizar medidas não farmacológicas, como reorientação e ambiente calmo, antes de considerar farmacoterapia.
O delirium é uma disfunção cerebral aguda e reversível, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, com início súbito e curso flutuante. É uma complicação comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório, e está associado a piores desfechos, como aumento da morbimortalidade, tempo de internação e institucionalização. Sua prevalência pode chegar a 50% em cirurgias de grande porte. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). É crucial identificar e tratar as causas subjacentes, como infecções, distúrbios metabólicos, dor e efeitos adversos de medicamentos. O tratamento do delirium prioriza medidas não farmacológicas, como reorientação, otimização do ambiente, mobilização precoce, hidratação e nutrição adequadas, e manejo da dor. A revisão e suspensão de medicações delirogênicas, como benzodiazepínicos e anticolinérgicos, são fundamentais. Antipsicóticos (ex: haloperidol, risperidona) podem ser usados em baixas doses para agitação grave e refratária, mas com cautela devido aos efeitos adversos.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades pré-existentes, uso de benzodiazepínicos, polifarmácia, cirurgias de grande porte (como ortopédicas), dor não controlada e privação de sono.
A abordagem inicial deve ser não farmacológica, com reorientação constante, manutenção de um ambiente calmo e bem iluminado, estímulo à mobilização precoce, controle da dor e revisão de medicações potencialmente delirogênicas, como benzodiazepínicos.
A medicação (geralmente antipsicóticos em baixas doses) é reservada para casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco, ou quando as medidas não farmacológicas falham. A contenção física deve ser o último recurso.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo