Delirium Pós-Operatório em Idosos: Prevenção e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente de 92 anos, diabética e hipertensa, com um grau leve de declínio cognitivo, sofreu fratura do colo do fêmur após queda da própria altura. No segundo dia pós-operatório de artroplastia do quadril, quando ainda estava em regime de terapia intensiva, começou a apresentar desorientação e agitação que piorava muito durante a noite. Ao exame, percebia-se desorganização do raciocínio, desatenção e alternância de sonolência com agitação. A tomografia de crânio foi normal. Qual das medidas abaixo relacionadas seria benéfica para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Contenção mecânica ao leito durante a noite
  2. B) Manutenção em regime de terapia intensiva para monitorização rigorosa do estado mental
  3. C) Adiamento dos cuidados fisioterápicos para deambulação devido ao aumento do risco de quedas
  4. D) Garantia de iluminação adequada, de preferência com luz solar e do uso das lentes corretivas prévias
  5. E) Prescrição de clonazepam 0,5 mg às 21 horas

Pérola Clínica

Delirium em idosos pós-op → medidas não farmacológicas são essenciais para prevenção e manejo.

Resumo-Chave

O delirium é uma complicação comum e grave em idosos hospitalizados, especialmente após cirurgias. Medidas ambientais e de suporte, como garantir boa iluminação, uso de óculos/aparelhos auditivos e reorientação, são cruciais para sua prevenção e tratamento, reduzindo a necessidade de contenção ou sedação.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção, consciência e cognição. É uma complicação comum em idosos hospitalizados, especialmente após cirurgias como a artroplastia de quadril, com prevalência que pode chegar a 50% em pacientes cirúrgicos geriátricos. Sua ocorrência está associada a piores desfechos, incluindo maior mortalidade, tempo de internação e institucionalização. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação de alterações agudas no estado mental e flutuações ao longo do dia. Fatores precipitantes incluem infecções, dor, privação de sono, polifarmácia, desidratação e alterações ambientais. A tomografia de crânio é útil para excluir causas estruturais. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes e na implementação de medidas não farmacológicas. Estas incluem reorientação constante, manutenção de um ambiente calmo e bem iluminado durante o dia, garantia de sono noturno, uso de óculos e aparelhos auditivos, mobilização precoce e hidratação adequada. A contenção física e o uso de benzodiazepínicos devem ser evitados, pois podem piorar o quadro, sendo os antipsicóticos (como haloperidol) reservados para agitação grave que coloque o paciente ou equipe em risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para delirium em idosos?

Idade avançada, declínio cognitivo prévio, polifarmácia, desidratação, privação de sono, infecções, dor e cirurgias (especialmente ortopédicas) são fatores de risco significativos para o desenvolvimento de delirium em pacientes idosos.

Qual a importância das medidas não farmacológicas no manejo do delirium?

As medidas não farmacológicas são a base do tratamento e prevenção do delirium, visando reorientar o paciente, otimizar o ambiente (iluminação, ruído), garantir hidratação e nutrição adequadas, e promover sono regular. Elas reduzem a necessidade de contenção e fármacos.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo, curso flutuante, e geralmente é reversível, com alterações na atenção e nível de consciência. A demência tem início insidioso, curso progressivo e afeta primariamente a memória e funções executivas, com nível de consciência preservado.

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