Delirium Pós-Operatório: Manejo da Agitação em Idosos

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 84 anos, portadora de síndrome demencial fase moderada, apresentou queda no domicílio com fratura de fêmur e foi internada para correção cirúrgica. Após 12 horas do procedimento, evoluiu com confusão mental e agitação psicomotora de difícil controle com medidas não farmacológicas. Qual é a melhor conduta medicamentosa?

Alternativas

  1. A) Clonazepam.
  2. B) Quetiapina.
  3. C) Donepezila.
  4. D) Sertralina.

Pérola Clínica

Delirium hiperativo em idoso pós-cirúrgico → Antipsicótico atípico em baixa dose (ex: Quetiapina) é preferível a benzodiazepínicos.

Resumo-Chave

Em idosos com delirium, benzodiazepínicos como o clonazepam podem piorar a confusão mental e aumentar o risco de quedas. Antipsicóticos atípicos em doses baixas, como a quetiapina, são a primeira linha farmacológica para controle de agitação psicomotora refratária às medidas não farmacológicas.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório de cirurgias de grande porte, como a correção de fratura de fêmur. Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, privação sensorial, dor e uso de múltiplas medicações. A condição é grave e está associada ao aumento da morbimortalidade, tempo de internação e declínio funcional. A abordagem inicial do delirium deve ser sempre focada em medidas não farmacológicas: reorientação no tempo e espaço, manejo da dor, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, garantia de um ciclo sono-vigília adequado e estímulo à mobilização precoce. O tratamento farmacológico é reservado para casos de agitação psicomotora intensa que coloca em risco o paciente ou a equipe, ou para sintomas psicóticos muito angustiantes. Nesse cenário, a escolha do medicamento é crucial. Benzodiazepínicos são contraindicados como primeira linha, pois podem exacerbar a confusão. A terapia de escolha são os antipsicóticos, preferencialmente os atípicos como quetiapina ou olanzapina, em doses baixas e por tempo limitado. Eles oferecem um melhor controle da agitação com um perfil de segurança mais favorável em idosos frágeis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium?

O delirium é caracterizado por um início agudo e curso flutuante de desatenção, acompanhado por pensamento desorganizado e/ou alteração do nível de consciência. Pode se manifestar como delirium hiperativo (agitação, alucinações), hipoativo (letargia, sonolência) ou misto.

Por que a quetiapina é uma boa escolha para delirium em idosos?

A quetiapina, um antipsicótico atípico, é preferida por ter um perfil de efeitos colaterais mais seguro em idosos, com menor risco de sintomas extrapiramidais em comparação com antipsicóticos típicos (como o haloperidol). É eficaz no controle da agitação e sintomas psicóticos em doses baixas.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

A principal diferença é o início e o curso. O delirium é agudo, flutuante e geralmente reversível, com a desatenção sendo o sintoma central. A demência é uma condição crônica, de início insidioso e progressivo, afetando primariamente a memória e outras funções cognitivas.

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