Delirium Pós-Operatório em Idosos: Manejo e Causas

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma senhora de 85 anos de idade está no 2º pós-operatório de colecistectomia laparoscópica por colecistite aguda com empiema, perfurada e bloqueada. A operação não teve intercorrências. A paciente passou a apresentar confusão mental, alucinações e agitação. Pulso: 80 bpm, regular, PA: 120 × 70 mmHg. T: 36,5 °C, SatO₂: 98%, em ar ambiente. O exame do abdome revela um pouco de dor em hipocôndrio direito. Está em uso de ceftriaxona, losartana, metformina, rosuvastatina, alopurinol e hidroclorotiazida. A conduta diante do diagnóstico mais provável deve ser 

Alternativas

  1. A) ampliação da antibioticoterapia para incluir imipenem.
  2. B) reavaliar as medicações e procurar distúrbios hidroeletrolíticos.
  3. C) anticoagulação plena.
  4. D) AAS.
  5. E) suspensão da ceftriaxona.

Pérola Clínica

Idoso pós-op com confusão mental → investigar delirium, reavaliar medicações e distúrbios hidroeletrolíticos.

Resumo-Chave

Delirium pós-operatório é comum em idosos, especialmente após cirurgias. A conduta inicial deve focar na identificação e correção de fatores precipitantes reversíveis, como distúrbios hidroeletrolíticos, infecções, dor, hipóxia e revisão da polifarmácia, que frequentemente contribuem para o quadro.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, com disfunção cognitiva. É particularmente comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório, e está associado a piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, institucionalização e mortalidade. O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo eficaz. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral preexistente. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou ferramentas como CAM (Confusion Assessment Method). A suspeita deve ser levantada em qualquer mudança aguda no estado mental de um paciente, especialmente idosos com fatores de risco. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes, como infecções, desidratação, distúrbios eletrolíticos, hipóxia, dor e efeitos adversos de medicamentos. Medidas não farmacológicas, como reorientação, ambiente calmo e ciclos de sono-vigília regulares, são a primeira linha. Antipsicóticos podem ser usados para agitação severa que coloque o paciente ou a equipe em risco, mas com cautela em idosos devido aos efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para delirium pós-operatório em idosos?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, polifarmácia, comorbidades pré-existentes (demência, AVC), desidratação, distúrbios eletrolíticos, infecções, dor não controlada, hipóxia e uso de certos medicamentos (benzodiazepínicos, opioides, anticolinérgicos). A presença de múltiplos fatores aumenta o risco.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo e flutuante, com alteração da atenção e do nível de consciência, e geralmente é reversível. A demência tem início insidioso e curso crônico e progressivo, com atenção geralmente preservada no início. Ambos podem coexistir, complicando o diagnóstico.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de delirium pós-operatório?

A conduta inicial envolve a busca e correção de fatores precipitantes reversíveis, como desidratação, distúrbios eletrolíticos, infecções (urinária, pulmonar), dor, hipóxia e revisão de medicações potencialmente causadoras de delirium. Medidas não farmacológicas para reorientação e ambiente calmo são cruciais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo