IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Mulher de 74 anos, previamente hígida, é submetida a uma artroplastia de quadril. No segundo pós-operatório passa a apresentar alteração do ciclo sono-vigília e da atenção. Não é esperada, nesse caso, a presença de:
Delirium pós-operatório: disfunção cerebral aguda, EEG alterado, TC de crânio geralmente normal.
O delirium pós-operatório é uma disfunção cerebral aguda e reversível, comum em idosos submetidos a cirurgias, caracterizada por alteração da atenção e do nível de consciência. Embora o eletroencefalograma possa mostrar lentificação difusa, a tomografia de crânio geralmente é normal, pois o delirium não é causado por lesão estrutural aguda.
O delirium pós-operatório é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbios da atenção, consciência e cognição. É uma complicação comum em pacientes idosos submetidos a cirurgias, especialmente ortopédicas e cardíacas, com incidência que pode chegar a 50%. Sua importância reside no aumento da morbimortalidade, tempo de internação e custos hospitalares, além de estar associado a um declínio cognitivo a longo prazo. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção da barreira hematoencefálica. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem alteração aguda da atenção e consciência, e distúrbio cognitivo adicional. A avaliação deve buscar identificar fatores precipitantes e predisponentes. O manejo do delirium é primariamente não farmacológico, com otimização do ambiente, reorientação, mobilização precoce e controle da dor. O uso de antipsicóticos (haloperidol) é reservado para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco. É crucial entender que o delirium é uma disfunção funcional do cérebro, e exames de imagem como a tomografia de crânio são geralmente normais, sendo úteis para excluir outras causas estruturais.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades múltiplas, polifarmácia, deficiência cognitiva pré-existente, cirurgias de grande porte (especialmente ortopédicas e cardíacas), dor mal controlada e uso de certos medicamentos (benzodiazepínicos, opioides).
O eletroencefalograma em pacientes com delirium tipicamente mostra uma lentificação difusa da atividade de base, com predomínio de ondas teta e delta, refletindo uma disfunção cortical generalizada.
A tomografia de crânio é importante para excluir causas estruturais agudas de alteração do estado mental (como AVC, hemorragia, tumor), mas na maioria dos casos de delirium, especialmente o pós-operatório, a TC é normal, pois o delirium é uma disfunção funcional.
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