Delirium Pós-Operatório: A Complicação Mais Comum no Idoso

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 72 anos de idade, portador de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, foi diagnosticado com câncer de próstata e será submetido à prostatectomia eletiva. No momento, encontra-se em avaliação pré-operatória.\n\nIdentifique a complicação mais comum no pós-operatório de pacientes com essas condições:

Alternativas

  1. A) Broncoaspiração.
  2. B) Desnutrição.
  3. C) Trombose venosa.
  4. D) Delirium. Situação-Problema: Questões de 16 a 18. Homem, 65 anos de idade, diagnosticado com câncer de cabeça de pâncreas, está em preparo pré-operatório para gastroduodenopancreatectomia com reconstrução em Y de Roux, com proposta curativa. O paciente apresentou grande perda de peso nos últimos três meses. Ao exame físico, regular estado geral, descorado +2/+4, ictérico +3/+4, IMC: 17 kg/m², FC: 64 bpm, PA: 122x72 mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano, flácido, RHA presentes, dor à palpação profunda de abdome superior, sem linfonodomegalia palpável.

Pérola Clínica

Complicação pós-operatória mais comum em idosos submetidos a cirurgias de grande porte → Delirium.

Resumo-Chave

O delirium é a complicação não-cirúrgica mais frequente no idoso hospitalizado, impactando diretamente na mortalidade e no tempo de internação pós-operatória.

Contexto Educacional

O delirium pós-operatório afeta até 50% dos idosos submetidos a cirurgias de grande porte. Ele é um marcador de fragilidade e está associado a resultados adversos graves, incluindo declínio funcional permanente, institucionalização e aumento da mortalidade em curto e longo prazo. \n\nNo caso de pacientes com comorbidades como HAS e DM, o risco cardiovascular e metabólico é elevado, mas a disfunção cerebral aguda manifestada pelo delirium supera em incidência complicações como infarto agudo do miocárdio ou tromboembolismo venoso. O reconhecimento precoce e a abordagem dos fatores precipitantes são pilares da medicina perioperatória geriátrica moderna.

Perguntas Frequentes

Por que o idoso é mais propenso ao delirium pós-operatório?

O envelhecimento está associado a uma menor reserva funcional cerebral e alterações na neurotransmissão (redução de acetilcolina e aumento de dopamina). O estresse cirúrgico desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica com liberação de citocinas que atravessam a barreira hematoencefálica, exacerbando a neuroinflamação. Além disso, fatores como polifarmácia, privação de sono no ambiente hospitalar, dor não controlada e o uso de anestésicos e opioides atuam como gatilhos em um cérebro já vulnerável por condições de base como hipertensão e diabetes.

Como diferenciar delirium de demência no pós-operatório?

O delirium caracteriza-se por um início agudo (horas ou dias) e um curso flutuante, com prejuízo marcante da atenção e do nível de consciência. Já a demência é uma condição crônica, progressiva, onde a consciência geralmente está preservada até estágios tardios. É importante notar que a demência pré-existente é o principal fator de risco para o desenvolvimento de delirium. O diagnóstico clínico de delirium é frequentemente realizado através do instrumento CAM (Confusion Assessment Method), que avalia início agudo, inatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência.

Quais as principais medidas preventivas para delirium?

A prevenção é baseada em intervenções multicomponentes não farmacológicas. Isso inclui a reorientação frequente do paciente (uso de relógios, calendários), garantia do uso de próteses visuais e auditivas, mobilização precoce, higiene do sono (evitar ruídos e luzes à noite), controle rigoroso da dor e revisão da lista de medicamentos para evitar drogas anticolinérgicas e benzodiazepínicos. A hidratação adequada e a correção de distúrbios eletrolíticos também são fundamentais. Medidas farmacológicas profiláticas não são recomendadas rotineiramente.

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