Delirium em Idosos Hospitalizados: Diagnóstico e Manejo

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 82 anos, cardiopata e portador de demência vascular, porém ainda mantém certa capacidade funcional, fazia pequenos serviços domésticos e saía com acompanhante. Internado há 48 horas no Hospital Naval Marcílio Dias, com diagnóstico de pneumonia, no momento em uso de antibiótico com evolução laboratorial favorável. No entanto, sua esposa relata que no fim do dia inicia quadro de agitação, desorientação e alternando períodos de muita sonolência. Apresenta dificuldade em manter o estado de alerta. Foi passado um cateter nasoenteral para nutrição e administração de medicamentos. Houve necessidade de contenção física. Com relação ao quadro exposto marque a opção correta.

Alternativas

  1. A) O quadro clínico sugere evolução da síndrome demencial. É comum que ocorra piora das demências no contexto de infecção. Esse quadro é irreversível e deve ser tratado com uso de benzodiazepínicos.
  2. B) O quadro clínico sugere delirium. Para o diagnóstico são necessários anamnese e exame físico minuciosos. Ferramentas de rastreamento podem ajudar os médicos e os enfermeiros a identificar os pacientes nessa situação, incluindo o Método de Avaliação de Confusão(CAM).
  3. C) Não são considerados fatores de risco: idade avançada, disfunção cognitiva prévia, uso de cateterismo vesical, contenção física, privação de sono e sensitiva, assim como o acréscimo de três ou mais medicamentos novos.
  4. D) O uso de fármacos está sempre indicado, principalmente benzodiazepínicos e antipsicóticos. Existe superioridade comprovada no uso de medicação sobre o uso de medidas não farmacológicas.
  5. E) Métodos como manter o quarto iluminado durante o dia, ter sempre um familiar por perto, orientação da equipe de enfermagem, fornecer óculos e aparelhos auditivos para os pacientes que fazem uso regular trazem pouco benefício na prevenção ao delirium.

Pérola Clínica

Delirium em idoso hospitalizado → Flutuação do estado mental, desatenção, desorganização do pensamento. CAM = ferramenta diagnóstica.

Resumo-Chave

O quadro de agitação, desorientação e flutuação do estado de alerta em um idoso hospitalizado, especialmente com fatores de risco como infecção e demência prévia, é altamente sugestivo de delirium. O diagnóstico precoce e a intervenção não farmacológica são cruciais.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, comum em pacientes idosos hospitalizados, especialmente aqueles com comorbidades como demência. É uma emergência médica que aumenta a morbimortalidade, o tempo de internação e o risco de institucionalização. O diagnóstico de delirium é clínico e pode ser auxiliado por ferramentas como o Método de Avaliação de Confusão (CAM), que avalia o início agudo e curso flutuante, desatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência. Fatores de risco incluem idade avançada, disfunção cognitiva prévia, infecções, polifarmácia, privação sensorial e contenção física. O manejo do delirium foca na identificação e tratamento da causa subjacente, além de medidas não farmacológicas para suporte e reorientação do paciente. O uso de fármacos, como benzodiazepínicos e antipsicóticos, deve ser restrito a casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco, e sempre com cautela devido aos efeitos adversos, priorizando as intervenções não farmacológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios incluem início agudo e curso flutuante, desatenção, pensamento desorganizado e/ou alteração do nível de consciência. O Método de Avaliação de Confusão (CAM) é uma ferramenta validada para rastreio e diagnóstico.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium em idosos?

Idade avançada, demência prévia, infecções, polifarmácia, desidratação, privação de sono e sensorial, uso de cateteres e contenção física são fatores de risco importantes e modificáveis.

Qual a importância das medidas não farmacológicas no manejo do delirium?

Medidas não farmacológicas, como reorientação, manutenção do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, presença familiar e correção de déficits sensoriais, são a base do tratamento e prevenção, com superioridade sobre o uso rotineiro de fármacos.

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