Delirium em Idosos: Reconhecimento e Fatores Precipitantes

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Leia o caso clínico abaixo e marque qual sua hipótese diagnóstica para a síndrome em questão: Idosa, 86 anos, portadora de Doença de Alzheimer fase 2, iniciou, subitamente, quadro de sonolência diurna, insônia com agitação psicomotora noturna, com alucinações visuais, agitação; a idosa apresentava olhar vago, não focava atenção, apesar destes sintomas flutuarem durante o dia. Informação da família que a idosa cursava ainda com inapetência e constipação (há 10 dias sem evacuar).

Alternativas

  1. A) Esquizofrenia
  2. B) Delirium
  3. C) Obstrução intestinal
  4. D) Mania
  5. E) Parkinsonismo

Pérola Clínica

Delirium = início AGUDO/subagudo + flutuação + alteração atenção/consciência + alteração cognição/percepção.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em idosos, especialmente aqueles com demência preexistente. Caracteriza-se por distúrbio da atenção e da consciência, com alterações cognitivas e perceptivas, frequentemente desencadeado por condições médicas agudas.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, acompanhada por uma mudança na cognição ou desenvolvimento de uma perturbação da percepção. É extremamente comum em idosos hospitalizados, com prevalência que pode chegar a 50% em pacientes cirúrgicos e em unidades de terapia intensiva. A sua importância clínica reside no fato de estar associado a piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, aumento da mortalidade e declínio funcional. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na aplicação de ferramentas como o Confusion Assessment Method (CAM). Deve-se suspeitar de delirium em qualquer idoso que apresente mudança aguda no estado mental, especialmente se houver flutuação dos sintomas ao longo do dia e dificuldade de atenção. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes (ex: infecção, desidratação, constipação). O manejo não farmacológico é prioritário, incluindo reorientação, manutenção de ciclo sono-vigília, mobilização precoce e controle da dor. O uso de antipsicóticos (como haloperidol) deve ser restrito a casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco. O prognóstico depende da causa e da rapidez do tratamento, mas o delirium pode ter sequelas cognitivas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios diagnósticos mais utilizados são os do CAM (Confusion Assessment Method), que incluem: 1) início agudo e curso flutuante; 2) desatenção; 3) pensamento desorganizado; e/ou 4) alteração do nível de consciência. São necessários os dois primeiros e um dos outros dois.

Quais são os principais fatores precipitantes de delirium em idosos?

Fatores precipitantes comuns incluem infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios eletrolíticos, polifarmácia, dor não controlada, constipação, retenção urinária, privação de sono e mudanças de ambiente.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

A principal diferença é o início: o delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência tem início insidioso e curso progressivo. O delirium afeta primariamente a atenção e o nível de consciência, enquanto a demência afeta a memória e outras funções cognitivas de forma mais crônica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo