Delirium em Idosos Após Queda: Diagnóstico e Manejo Inicial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma idosa de 80 anos sofre queda da própria altura em casa e dá entrada na emergência com fratura de Colles à direita. Durante a avaliação, nota-se também confusão mental e taquicardia. Está estável hemodinamicamente, sem outras queixas e sem outras lesões diagnosticadas no exame físico realizado no atendimento inicial.Qual a principal preocupação a ser considerada nesta situação?

Alternativas

  1. A) Possibilidade de fratura vertebral.
  2. B) Controle da dor.
  3. C) Necessidade de cirurgia ortopédica.
  4. D) Desidratação e alteração do estado mental.

Pérola Clínica

Idoso com queda e confusão mental → investigar causa sistêmica subjacente (ex: desidratação, infecção), não apenas a fratura.

Resumo-Chave

Em pacientes geriátricos, uma queda frequentemente é o sintoma sentinela de uma condição clínica aguda subjacente. A presença de delirium (confusão mental aguda) e taquicardia reforça a necessidade de uma investigação sistêmica, pois a fratura pode ser a consequência, e não a causa primária do problema.

Contexto Educacional

A apresentação de doenças em pacientes idosos frequentemente difere do padrão clássico visto em adultos jovens. Condições como infecções, distúrbios metabólicos ou desidratação podem manifestar-se de forma atípica, com sintomas como confusão mental aguda (delirium), quedas, ou perda de funcionalidade, em vez de febre ou dor localizada. A queda, nesse contexto, deve ser vista como um sinal de alerta para uma descompensação sistêmica. O delirium é uma emergência médica caracterizada por um distúrbio agudo da atenção e cognição, com curso flutuante. Em um idoso que sofre uma queda e apresenta-se confuso, é mandatório investigar fatores precipitantes. A fratura de Colles é a consequência do evento, mas a causa da queda e do delirium pode ser uma infecção do trato urinário, pneumonia, desidratação, hipoglicemia, ou efeito adverso de medicamentos. A avaliação inicial deve ir além da lesão ortopédica, incluindo uma anamnese detalhada, exame físico completo, e exames laboratoriais básicos. O manejo adequado envolve tratar simultaneamente a lesão traumática e a causa subjacente do delirium. O controle da dor é importante, mas deve-se ter cautela com opioides, que podem piorar a confusão. A prioridade é a identificação e reversão do fator precipitante, como a reidratação em caso de desidratação, garantindo um ambiente calmo e o suporte clínico necessário para a recuperação do estado mental basal do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de delirium em um paciente idoso?

Os sinais incluem início agudo de desatenção, pensamento desorganizado, alteração do nível de consciência, flutuação dos sintomas ao longo do dia, e pode haver agitação ou lentificação psicomotora.

Qual a conduta inicial para um idoso com queda e confusão mental?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, avaliação da lesão traumática (como a fratura), e uma investigação imediata de causas reversíveis para o delirium, como infecções (ex: ITU), distúrbios hidroeletrolíticos, hipóxia e efeitos de medicamentos.

Como diferenciar delirium de demência no pronto-socorro?

A principal diferença é o início: o delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva. A atenção está primariamente afetada no delirium, enquanto na demência o prejuízo principal é na memória e outras funções cognitivas.

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