Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Uma idosa de 80 anos sofre queda da própria altura em casa e dá entrada na emergência com fratura de Colles à direita. Durante a avaliação, nota-se também confusão mental e taquicardia. Está estável hemodinamicamente, sem outras queixas e sem outras lesões diagnosticadas no exame físico realizado no atendimento inicial.Qual a principal preocupação a ser considerada nesta situação?
Idoso com queda e confusão mental → investigar causa sistêmica subjacente (ex: desidratação, infecção), não apenas a fratura.
Em pacientes geriátricos, uma queda frequentemente é o sintoma sentinela de uma condição clínica aguda subjacente. A presença de delirium (confusão mental aguda) e taquicardia reforça a necessidade de uma investigação sistêmica, pois a fratura pode ser a consequência, e não a causa primária do problema.
A apresentação de doenças em pacientes idosos frequentemente difere do padrão clássico visto em adultos jovens. Condições como infecções, distúrbios metabólicos ou desidratação podem manifestar-se de forma atípica, com sintomas como confusão mental aguda (delirium), quedas, ou perda de funcionalidade, em vez de febre ou dor localizada. A queda, nesse contexto, deve ser vista como um sinal de alerta para uma descompensação sistêmica. O delirium é uma emergência médica caracterizada por um distúrbio agudo da atenção e cognição, com curso flutuante. Em um idoso que sofre uma queda e apresenta-se confuso, é mandatório investigar fatores precipitantes. A fratura de Colles é a consequência do evento, mas a causa da queda e do delirium pode ser uma infecção do trato urinário, pneumonia, desidratação, hipoglicemia, ou efeito adverso de medicamentos. A avaliação inicial deve ir além da lesão ortopédica, incluindo uma anamnese detalhada, exame físico completo, e exames laboratoriais básicos. O manejo adequado envolve tratar simultaneamente a lesão traumática e a causa subjacente do delirium. O controle da dor é importante, mas deve-se ter cautela com opioides, que podem piorar a confusão. A prioridade é a identificação e reversão do fator precipitante, como a reidratação em caso de desidratação, garantindo um ambiente calmo e o suporte clínico necessário para a recuperação do estado mental basal do paciente.
Os sinais incluem início agudo de desatenção, pensamento desorganizado, alteração do nível de consciência, flutuação dos sintomas ao longo do dia, e pode haver agitação ou lentificação psicomotora.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, avaliação da lesão traumática (como a fratura), e uma investigação imediata de causas reversíveis para o delirium, como infecções (ex: ITU), distúrbios hidroeletrolíticos, hipóxia e efeitos de medicamentos.
A principal diferença é o início: o delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva. A atenção está primariamente afetada no delirium, enquanto na demência o prejuízo principal é na memória e outras funções cognitivas.
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