Delirium em Idosos: Avaliação Inicial e Causas Comuns

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 82 anos de idade, com antecedentes pessoais de diabetes melito não insulino-dependente e doença de Alzheimer em fase moderada, foi levada ao pronto-socorro com história de diarreia líquida sem sangue ou muco há 3 dias, além de queda do estado geral, sem febre. Evoluiu com piora há 1 dia, apresentando apatia e lentificação. Ao exame, encontra-se desidratada, hemodinamicamente estável e eupneica e apresenta déficit de atenção e sonolência, sem déficits neurológicos focais. Outros dados da paciente: saturação de oxigênio = 97% e glicemia capilar = 110 mg/dL. Considerando-se esse caso clínico, é correto afirmar que, de acordo com as possibilidades diagnósticas, a conduta inicial deverá incluir, além de hidratação endovenosa e teste para covid-19,

Alternativas

  1. A) coleta de hemograma, urina I, eletrólitos e função renal.
  2. B) tomografia de crânio e gasometria arterial.
  3. C) ressonância de crânio e gasometria venosa.
  4. D) coleta de hemoculturas e gasometria arterial.
  5. E) tomografia de tórax e ultrassonografia de abdome.

Pérola Clínica

Idoso com alteração aguda do estado mental (delirium) → investigar causas metabólicas, infecciosas e hidroeletrolíticas com exames básicos.

Resumo-Chave

Em idosos, o delirium é uma manifestação comum e inespecífica de diversas condições agudas, incluindo infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios hidroeletrolíticos (desidratação, hiponatremia) e metabólicos. A avaliação inicial deve incluir exames laboratoriais básicos para identificar essas causas tratáveis, mesmo na ausência de febre ou outros sinais clássicos.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, comum em idosos hospitalizados e com comorbidades, como diabetes e Alzheimer. É um preditor independente de pior prognóstico, aumento da mortalidade e institucionalização. Em idosos, o delirium pode ser a única manifestação de uma doença aguda subjacente, mesmo na ausência de sintomas clássicos como febre. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores e inflamação sistêmica. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). A investigação etiológica é crucial, pois o delirium é frequentemente reversível se a causa for tratada. A conduta inicial deve incluir a busca ativa por causas precipitantes. Exames laboratoriais básicos como hemograma, eletrólitos (sódio, potássio, cálcio), função renal (ureia, creatinina), glicemia e exame de urina I são fundamentais para identificar desequilíbrios hidroeletrolíticos, infecções (urinárias, respiratórias) e outras condições metabólicas que frequentemente desencadeiam o delirium em idosos. A hidratação adequada é sempre uma medida de suporte importante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores precipitantes de delirium em idosos?

Infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios hidroeletrolíticos (desidratação, hiponatremia), medicamentos (sedativos, anticolinérgicos), dor, privação de sono, cirurgias e doenças agudas são fatores comuns.

Quais exames laboratoriais são essenciais na avaliação inicial do delirium?

Hemograma, eletrólitos (Na, K, Ca), função renal (ureia, creatinina), glicemia, exame de urina I e cultura de urina são fundamentais. Outros exames podem ser solicitados conforme a suspeita clínica.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

O delirium tem início agudo e flutuante, com alteração da atenção e consciência, enquanto a demência tem início insidioso e curso progressivo, com déficits cognitivos mais estáveis e atenção preservada inicialmente.

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