UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022
Dr. Gercílio está em visita domiciliar na casa de Dona Almerinda, 92 anos, a pedido da família. Na visita anterior, há um mês, a paciente estava acamada devido a uma sequela de AVC, porém lúcida e orientada, em uso de Sinvastatina, Clopidogrel e Propanolol. Na visita atual, a família relata que há uma semana a paciente iniciou uso de Clonazepan gotas, receitado por um amigo da família, para insônia. Há dois dias dona Almerinda começou a ficar muito agitada, e repete a todo o momento que tem um jacaré em seu quarto. Dr. Gercílio não encontra nada digno de nota no Exame Físico. Dona Almerinda responde a todas as perguntas, mas apresenta confusão mental e agitação psicomotora. O diagnóstico mais provável e conduta nesse caso são:
Idoso com alteração aguda de consciência + agitação + alucinações → Delirium; investigar e suspender fármacos precipitantes (ex: benzodiazepínicos).
O delirium é uma alteração aguda e flutuante do estado mental, comum em idosos e frequentemente precipitada por medicamentos (como benzodiazepínicos), infecções ou alterações metabólicas. A conduta inicial envolve identificar e remover a causa subjacente, sendo a suspensão do Clonazepam a medida mais apropriada neste caso.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, acompanhada de distúrbios cognitivos ou perceptuais. É particularmente comum em idosos, especialmente aqueles com comorbidades, polifarmácia ou em recuperação de eventos agudos como AVC. A sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais para evitar desfechos negativos. A fisiopatologia do delirium é complexa, envolvendo desregulação de neurotransmissores (principalmente acetilcolina e dopamina) e inflamação sistêmica. Fatores precipitantes incluem infecções, distúrbios metabólicos, desidratação, dor, privação de sono e, notavelmente, o uso de certos medicamentos, como os benzodiazepínicos. No caso de Dona Almerinda, o início agudo da confusão e agitação, associado ao uso recente de Clonazepam, aponta fortemente para um delirium induzido por medicação. A conduta para o delirium é primariamente não farmacológica e focada na remoção da causa subjacente. A suspensão de medicamentos potencialmente precipitantes, como o Clonazepam, é uma prioridade. Medidas de suporte, como reorientação, manutenção de um ambiente calmo e seguro, e tratamento de comorbidades, são essenciais. O diagnóstico diferencial com demência é importante, sendo o caráter agudo e flutuante do delirium o principal diferenciador.
Os critérios diagnósticos para delirium incluem alteração aguda e flutuante da atenção e consciência, acompanhada de distúrbio cognitivo (memória, orientação, linguagem) ou perceptual. A condição deve ser atribuível a uma causa médica ou substância e não ser explicada por outra condição neurológica.
Benzodiazepínicos, como o Clonazepam, podem causar delirium em idosos devido à sua meia-vida prolongada, acúmulo e maior sensibilidade do sistema nervoso central. Eles podem exacerbar a confusão, sedação e desorientação, especialmente em pacientes com comorbidades ou polifarmácia.
A conduta inicial no manejo do delirium foca na identificação e correção da causa subjacente (ex: suspender medicamentos precipitantes, tratar infecções, corrigir distúrbios metabólicos). Medidas de suporte, como reorientação, ambiente calmo e hidratação, são cruciais. Antipsicóticos podem ser usados em casos de agitação grave e risco para o paciente.
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