Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo de Causas

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Idosa de 90 anos de idade é trazida pela filha ao pronto socorro com queixa de sonolência diurna, diminuição de apetite e de aceitação hídrica há 6 dias. Há 4 dias não tem dormido à noite e há 2 dias não reconhece a casa e fala coisas desconexas. Filha refere que tem momentos que a mãe parece quase normal. Redução de volume urinário, com alteração de cor e odor, e não evacua há 6 dias. Nega febre, tosse ou falta de ar. Em uso de Losartan e Metformina de longa data e uso de Clonazepan há 2 dias, para a insônia. Ao exame físico a paciente apresenta-se sonolenta, não consegue manter a atenção. De acordo com o caso relatado, qual é o diagnóstico provável e a conduta, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Demência de Alzheimer - iniciar anticolinesterásico.
  2. B) Demência de Alzheimer com distúrbio de comportamento - iniciar antipsicótico.
  3. C) Delirium - identificar e tratar causas precipitantes.
  4. D) Delirium - introduzir antipsicótico, essencial para a resolução do quadro.

Pérola Clínica

Idoso com alteração aguda e flutuante de consciência, atenção e cognição → Delirium. Buscar e tratar causas precipitantes.

Resumo-Chave

O quadro agudo e flutuante de alteração de consciência, atenção e cognição em idosos, com fatores precipitantes claros (infecção urinária, constipação, uso recente de benzodiazepínico), é altamente sugestivo de delirium. A conduta primordial é identificar e tratar as causas subjacentes, não apenas medicar os sintomas.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbios da atenção, consciência e cognição. É particularmente comum em idosos, sendo um preditor independente de morbidade e mortalidade. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. O diagnóstico de delirium baseia-se em critérios clínicos, como o DSM-5, que enfatiza o início agudo, o curso flutuante e a alteração da atenção e consciência. Fatores precipitantes são abundantes em idosos, incluindo infecções (como a urinária sugerida pela alteração de urina), desidratação (diminuição da aceitação hídrica), constipação e o uso de medicamentos com efeitos no SNC, como o clonazepam. A polifarmácia é um fator de risco significativo. A conduta principal no delirium é a identificação e tratamento das causas subjacentes. A introdução de antipsicóticos deve ser reservada para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco, e não é a medida essencial para a resolução do quadro, que depende da correção da etiologia. Residentes devem estar aptos a diferenciar delirium de demência e a iniciar a investigação etiológica de forma sistemática.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios incluem alteração aguda e flutuante da atenção e consciência, distúrbio cognitivo adicional (memória, desorientação), e evidência de que a perturbação é causada por uma condição médica ou substância.

Quais são as causas mais comuns de delirium em idosos?

Infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios metabólicos (eletrólitos, glicemia), polifarmácia (especialmente benzodiazepínicos, anticolinérgicos), constipação, dor e privação de sono são causas frequentes.

Qual a conduta inicial no manejo de um paciente com delirium?

A conduta inicial é identificar e tratar as causas precipitantes subjacentes, otimizar o ambiente, garantir hidratação e nutrição adequadas, e, se necessário, usar antipsicóticos em baixas doses para agitação grave e refratária.

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