Delirium em Idosos: Diagnóstico e Impacto na Alta Hospitalar

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 79 anos de idade foi internado para realizar procedimento eletivo de colocação de prótese em joelho direito. No terceiro dia de internação, passou a apresentar quadro de flutuação do nível de consciência e pensamento desorganizado, com dificuldade para manter atenção nas conversas com os enfermeiros e com os médicos.Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se, provavelmente, de um quadro infeccioso, devendo-se iniciar antibioticoterapia empírica e solicitar a realização de exames laboratoriais de rastreio infeccioso.
  2. B) Deve-se realizar um exame de neuroimagem, podendo ser ressonância nuclear magnética ou tomografia computadorizada de crânio. Caso os exames não apresentem alteração, deve-se realizar a coleta de líquor.
  3. C) Esse quadro é comum em idosos internados que possuem o diagnóstico de doença de Alzheimer. Dessa forma, pode-se inferir que, provavelmente, o paciente possui esse diagnóstico.
  4. D) Trata-se de uma síndrome clínica que pode ocorrer em idosos internados. No entanto, essa condição não impede a alta hospitalar, caso sejam investigados e afastados os principais fatores desencadeantes.
  5. E) O paciente deve ser encaminhado para a unidade de terapia intensiva até esclarecimento diagnóstico do motivo da confusão mental.

Pérola Clínica

Delirium em idoso internado é síndrome comum, não impede alta se causas tratadas e paciente estabilizado.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em idosos internados, caracterizada por alteração da atenção e cognição. Embora seja um marcador de fragilidade e pior prognóstico, sua ocorrência não contraindica a alta hospitalar, desde que os fatores desencadeantes sejam identificados e tratados, e o paciente esteja clinicamente estável.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como síndrome confusional aguda, é uma condição neuropsiquiátrica comum e grave em idosos, especialmente no ambiente hospitalar. Caracteriza-se por uma alteração aguda e flutuante da atenção, consciência e cognição. Sua prevalência em idosos internados pode chegar a 30%, e é um preditor independente de pior prognóstico, aumento do tempo de internação, institucionalização e mortalidade. É crucial para residentes reconhecerem e manejarem essa condição devido ao seu impacto significativo na saúde do paciente. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). É essencial investigar e tratar as causas subjacentes, que podem incluir infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios metabólicos (hiponatremia, hiperglicemia), desidratação, dor, polifarmácia, abstinência de álcool/drogas e eventos cerebrovasculares. A suspeita deve ser alta em qualquer idoso com mudança aguda no estado mental. O manejo do delirium é primariamente não farmacológico, focando na identificação e correção dos fatores precipitantes. Medidas como reorientação, manutenção do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, hidratação adequada e controle da dor são fundamentais. O uso de antipsicóticos deve ser restrito a casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco. O prognóstico varia conforme a causa e a rapidez do tratamento. Embora o delirium seja um evento sério, sua ocorrência não impede a alta hospitalar, desde que o paciente esteja estável, os fatores desencadeantes tenham sido abordados e haja um plano de cuidados de transição bem estruturado para casa ou para uma instituição de longa permanência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium em idosos?

Os principais sinais incluem flutuação do nível de consciência, desatenção, pensamento desorganizado, alteração do ciclo sono-vigília, e distúrbios de percepção. A característica mais marcante é a flutuação dos sintomas ao longo do dia.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de delirium em idosos internados?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, infecções, cirurgias (especialmente ortopédicas), privação de sono, dor não controlada e alterações metabólicas ou eletrolíticas.

O delirium impede a alta hospitalar de um paciente idoso?

Não necessariamente. Embora o delirium seja um sinal de alerta, a alta é possível após a identificação e tratamento dos fatores desencadeantes, com melhora do quadro clínico e cognitivo. É fundamental um plano de cuidados pós-alta que inclua monitoramento e suporte.

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