IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023
Um paciente de 79 anos de idade foi internado para realizar procedimento eletivo de colocação de prótese em joelho direito. No terceiro dia de internação, passou a apresentar quadro de flutuação do nível de consciência e pensamento desorganizado, com dificuldade para manter atenção nas conversas com os enfermeiros e com os médicos.Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Delirium em idoso internado é síndrome comum, não impede alta se causas tratadas e paciente estabilizado.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em idosos internados, caracterizada por alteração da atenção e cognição. Embora seja um marcador de fragilidade e pior prognóstico, sua ocorrência não contraindica a alta hospitalar, desde que os fatores desencadeantes sejam identificados e tratados, e o paciente esteja clinicamente estável.
O delirium, também conhecido como síndrome confusional aguda, é uma condição neuropsiquiátrica comum e grave em idosos, especialmente no ambiente hospitalar. Caracteriza-se por uma alteração aguda e flutuante da atenção, consciência e cognição. Sua prevalência em idosos internados pode chegar a 30%, e é um preditor independente de pior prognóstico, aumento do tempo de internação, institucionalização e mortalidade. É crucial para residentes reconhecerem e manejarem essa condição devido ao seu impacto significativo na saúde do paciente. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). É essencial investigar e tratar as causas subjacentes, que podem incluir infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios metabólicos (hiponatremia, hiperglicemia), desidratação, dor, polifarmácia, abstinência de álcool/drogas e eventos cerebrovasculares. A suspeita deve ser alta em qualquer idoso com mudança aguda no estado mental. O manejo do delirium é primariamente não farmacológico, focando na identificação e correção dos fatores precipitantes. Medidas como reorientação, manutenção do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, hidratação adequada e controle da dor são fundamentais. O uso de antipsicóticos deve ser restrito a casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco. O prognóstico varia conforme a causa e a rapidez do tratamento. Embora o delirium seja um evento sério, sua ocorrência não impede a alta hospitalar, desde que o paciente esteja estável, os fatores desencadeantes tenham sido abordados e haja um plano de cuidados de transição bem estruturado para casa ou para uma instituição de longa permanência.
Os principais sinais incluem flutuação do nível de consciência, desatenção, pensamento desorganizado, alteração do ciclo sono-vigília, e distúrbios de percepção. A característica mais marcante é a flutuação dos sintomas ao longo do dia.
Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, infecções, cirurgias (especialmente ortopédicas), privação de sono, dor não controlada e alterações metabólicas ou eletrolíticas.
Não necessariamente. Embora o delirium seja um sinal de alerta, a alta é possível após a identificação e tratamento dos fatores desencadeantes, com melhora do quadro clínico e cognitivo. É fundamental um plano de cuidados pós-alta que inclua monitoramento e suporte.
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