Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo na Enfermaria

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 82a, internado em Enfermaria de Geriatria para tratamento de pneumonia lobar, necessitando de oxigenoterapia, sem alterações cognitivas prévias. No segundo dia inicia quadro de letargia, períodos de confusão mental, diminuição da atividademotora e retenção urinária. O DIAGNÓSTICO É:

Alternativas

  1. A) Delirium.
  2. B) Esquizofrenia.
  3. C) Demência.
  4. D) Hipoglicemia.

Pérola Clínica

Idoso internado com alteração cognitiva aguda, flutuante e multifatorial → Delirium.

Resumo-Chave

O delirium em idosos é uma emergência médica comum, frequentemente precipitada por infecções como pneumonia. Caracteriza-se por início agudo, curso flutuante e alteração da atenção e cognição, exigindo identificação rápida para manejo adequado e prevenção de desfechos adversos.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como síndrome confusional aguda, é uma disfunção cerebral aguda e reversível, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, com início súbito e curso flutuante. É uma condição comum em pacientes idosos hospitalizados, com incidência que pode chegar a 50% em unidades de terapia intensiva, sendo um marcador de fragilidade e um preditor independente de desfechos adversos, como aumento da mortalidade, tempo de internação e institucionalização. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (ex: deficiência colinérgica, excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). É fundamental identificar e tratar os fatores precipitantes, como infecções (pneumonia, ITU), distúrbios metabólicos, desidratação, polifarmácia, dor e privação de sono. O tratamento do delirium foca na remoção dos fatores desencadeantes e no suporte clínico. Medidas não farmacológicas, como reorientação, mobilização precoce, otimização do ambiente e correção de déficits sensoriais, são a base do manejo. O uso de antipsicóticos (ex: haloperidol) deve ser reservado para casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco, sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível, devido aos potenciais efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do delirium em idosos?

O delirium em idosos manifesta-se por início agudo de confusão mental, desatenção, alteração do nível de consciência (letargia ou agitação) e flutuação dos sintomas ao longo do dia. Pode haver também distúrbios do sono, alterações psicomotoras e inversão do ciclo sono-vigília.

Qual a importância de identificar rapidamente o delirium em pacientes internados?

A identificação precoce do delirium é crucial para investigar e tratar as causas subjacentes, como infecções ou distúrbios metabólicos. O atraso no diagnóstico e tratamento está associado a maior morbimortalidade, tempo de internação prolongado e declínio funcional permanente.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

A principal diferença reside no início e curso dos sintomas: o delirium é agudo e flutuante, enquanto a demência é insidiosa e progressiva. Além disso, no delirium, a atenção está frequentemente comprometida, o que não é uma característica primária da demência.

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