Delirium em Idosos: Manejo da Agitação no Pronto-Atendimento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Idoso, 87 anos, institucionalizado, é levado ao pronto- -atendimento com quadro de agitação, agressividade e piora de alucinações há dois dias. Tem antecedente de síndrome demencial, hipertensão, dislipidemia e hipotireoidismo. Em sua chegada ao serviço hospitalar, encontra- se extremamente agitado e bastante agressivo, sendo impossível o exame físico ou a coleta de exames.Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada nesse momento.

Alternativas

  1. A) Fenitoína subcutânea.
  2. B) Morfina subcutânea.
  3. C) Haloperidol intramuscular.
  4. D) Diazepam oral.
  5. E) Contenção física mecânica.

Pérola Clínica

Idoso agitado/agressivo com delirium → Haloperidol IM para controle rápido e seguro.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com delirium e agitação psicomotora intensa que impede a avaliação, o haloperidol intramuscular é a medicação de escolha para controle rápido e seguro. É crucial controlar a agitação para permitir a investigação da causa subjacente do delirium.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, com alterações cognitivas adicionais. É particularmente comum em idosos, especialmente aqueles com demência preexistente e institucionalizados, sendo um marcador de fragilidade e associado a piores desfechos. A agitação psicomotora e a agressividade são manifestações frequentes do delirium hiperativo, tornando o manejo um desafio no pronto-atendimento. A identificação do delirium é crucial, mas a prioridade inicial em um paciente extremamente agitado e agressivo é garantir a segurança do paciente e da equipe, permitindo a realização de um exame físico e a coleta de exames para investigar a causa subjacente. As causas do delirium são vastas e incluem infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios metabólicos (desidratação, hiponatremia), medicamentos (polifarmácia, anticolinérgicos), dor e retenção urinária/fecal. A conduta mais apropriada para o controle rápido da agitação em idosos com delirium é a farmacológica, sendo o haloperidol intramuscular a medicação de escolha. Ele possui rápido início de ação e é eficaz no controle dos sintomas psicóticos e da agitação, com menor risco de sedação excessiva e piora cognitiva em comparação com os benzodiazepínicos. Estes últimos devem ser reservados para delirium por abstinência alcoólica ou benzodiazepínica. A contenção física mecânica pode ser utilizada temporariamente em conjunto com a farmacológica, mas nunca isoladamente, e deve ser revisada e retirada assim que a segurança for restabelecida.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de delirium em idosos?

As causas de delirium em idosos são multifatoriais e incluem infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios metabólicos, polifarmácia, dor, constipação, retenção urinária e abstinência de substâncias, exigindo uma investigação abrangente.

Por que o haloperidol é preferível a benzodiazepínicos para agitação em delirium?

O haloperidol, um antipsicótico de primeira geração, é preferível porque causa menos sedação e confusão em comparação com os benzodiazepínicos, que podem piorar o quadro cognitivo em idosos com delirium, aumentando o risco de quedas e prolongando o quadro.

Quando a contenção física é indicada no manejo da agitação em idosos?

A contenção física é uma medida de último recurso, indicada apenas para garantir a segurança do paciente e da equipe, e para permitir a administração de medicação ou realização de exames, devendo ser utilizada pelo menor tempo possível e em conjunto com a contenção farmacológica.

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