UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Mulher, 78 anos de idade, chega à Unidade de Pronto Atendimento bastante agitada, acompanhada pela família. Está assustada, com discurso confuso e não consegue explicar o motivo de seu medo. Durante a consulta, fica progressivamente menos colaborativa, recusando-se a conversar. A família nega doença psiquiátrica prévia e relata que a alteração de comportamento começou na noite anterior. A paciente passou a noite agitada e dormiu apenas às 05:00h da manhã. Acordou mais tranquila, porém menos ativa que o usual, preferindo ficar deitada, sem muito apetite. Não conseguiu realizar as atividades domésticas usuais. Ao entardecer, começou a ficar agitada novamente. Exame físico: regular estado geral, descorada ++/IV, desidratada +/IV, anictérica, acianótica. FC = 110 bpm, PA = 150X95 mm/Hg, T = 37,8ºC. Exame físico dificultado pela falta de colaboração da paciente, com dor difusa à palpação do abdome. Apresenta odor forte na roupa. Qual é a hipótese diagnóstica e conduta inicial?
Idoso + alteração aguda e flutuante do estado mental + fator precipitante (infecção/desidratação) → Delirium.
O quadro clínico de alteração aguda e flutuante do estado mental, com agitação e confusão, em uma idosa com sinais de desidratação, febre e dor abdominal, é altamente sugestivo de delirium. A conduta inicial deve focar na sedação com haloperidol em baixa dose (evitar benzodiazepínicos, que podem piorar o delirium) e, crucialmente, na investigação e tratamento da causa subjacente.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da cognição, com início súbito e curso flutuante ao longo do dia. É particularmente comum em idosos hospitalizados, sendo um marcador de fragilidade e associado a piores desfechos, incluindo aumento da mortalidade e institucionalização. A fisiopatologia envolve uma disfunção cerebral multifatorial, frequentemente precipitada por condições médicas agudas. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que enfatizam a alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência. É crucial diferenciar o delirium da demência, que tem um curso crônico e progressivo. A presença de fatores precipitantes, como infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios metabólicos, polifarmácia ou abstinência de substâncias, é comum e deve ser ativamente investigada. O manejo do delirium envolve duas frentes: controle sintomático e tratamento da causa subjacente. A sedação, quando necessária para segurança do paciente e da equipe, deve ser feita preferencialmente com antipsicóticos de baixa dose, como o haloperidol. Benzodiazepínicos devem ser evitados, exceto em delirium por abstinência alcoólica. A investigação da causa base é imperativa e deve ser abrangente, incluindo exames laboratoriais e de imagem, para identificar e tratar a condição médica subjacente, que é a chave para a resolução do quadro.
O delirium em idosos é caracterizado por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, com distúrbios do ciclo sono-vigília, agitação ou hipoatividade, e evidência de uma causa orgânica subjacente.
O haloperidol é um antipsicótico que controla a agitação e os sintomas psicóticos sem deprimir excessivamente o sistema nervoso central. Benzodiazepínicos como o diazepam podem piorar a confusão e a desorientação em idosos com delirium, prolongando o quadro.
A investigação deve ser ampla e incluir hemograma, eletrólitos, função renal e hepática, glicemia, gasometria, urina I e urocultura, radiografia de tórax e, dependendo da suspeita, exames de imagem cerebral ou punção lombar.
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