Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022
Mulher de 82 anos, diabética, é levada ao pronto-socorro com história de mudança de comportamento, com momentos de confusão mental, desatenção e tendência de alterar o ciclo sono-vigília, nos últimos 3 dias. A principal hipótese para o quadro de confusão mental é:
Idoso com mudança aguda de comportamento, confusão e alteração sono-vigília → suspeitar de delirium, frequentemente secundário a infecção.
Delirium é uma condição aguda e flutuante de disfunção cerebral, comum em idosos e frequentemente precipitada por infecções (como ITU), distúrbios metabólicos ou medicamentos. É crucial investigar causas reversíveis, pois o delirium não é uma síndrome demencial, mas pode coexistir com ela.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção, consciência e cognição. É particularmente comum em idosos, com prevalência que pode chegar a 50% em pacientes hospitalizados. É uma condição grave, associada a aumento da morbidade, mortalidade e tempo de internação, e pode ser um sinal de uma doença subjacente grave. A identificação precoce e o tratamento da causa são cruciais. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. Em idosos, fatores de risco como polifarmácia, desidratação, distúrbios metabólicos (ex: diabetes descompensado) e, principalmente, infecções (como infecção do trato urinário ou pneumonia) são precipitantes comuns. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). O tratamento do delirium foca na identificação e correção da causa subjacente, além de medidas de suporte e controle ambiental. É fundamental investigar exaustivamente causas reversíveis, como infecções, desequilíbrios eletrolíticos, hipóxia ou efeitos adversos de medicamentos. O prognóstico é variável, mas a resolução do delirium é possível com o manejo adequado da causa. No entanto, pode haver sequelas cognitivas e aumento do risco de demência a longo prazo.
O delirium em idosos é caracterizado por um início agudo e flutuante de distúrbio da atenção e consciência, com alteração da cognição. Pode apresentar-se como hipoativo (letargia), hiperativo (agitação) ou misto, com distúrbios do ciclo sono-vigília.
Idosos são mais suscetíveis a infecções urinárias assintomáticas ou com sintomas atípicos, que podem desencadear uma resposta inflamatória sistêmica. Essa inflamação pode afetar o sistema nervoso central, levando ao desenvolvimento de delirium, mesmo sem febre ou disúria evidentes.
A principal diferença é o curso: delirium tem início agudo e flutuante, com alteração da atenção e consciência. Demência tem início insidioso e curso crônico-progressivo, com atenção e consciência geralmente preservadas nas fases iniciais. A presença de um fator precipitante agudo é chave para o delirium.
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