Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo Clínico

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 65anos, diabética, hipertensa, iniciou quadro de hipersonia diurna e agitação psicomotora noturna.A paciente começou a ficar lentificada, reduzindo suas atividades, há 1 semana e iniciou quadro de incontinência urinária. Foi levada para a urgência onde foi passada uma sonda vesical; ela foi contida no leito e foi administrado diazepam em todas as vezes que agitava. Na enfermaria de clínica médica, observou-se que na maior parte do tempo a idosa estava sonolenta, distante, desatenta, desorientada no tempo e espaço. Em alguns momentos, no entanto, parecia orientada e alerta. À noite apresentava quadro de alucinações visuais e agitação psicomotora. Marque a resposta certa:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um caso clássico de Alzheimer e se impõem uma avaliação da neurologia
  2. B) Trata-se de um caso de Delirium ou confusão mental aguda, cuja causa é orgânica, sendo muito importante a avaliação do clínico
  3. C) Trata-se de um surto de mania e é necessária a avaliação da psiquiatria
  4. D) De uma forma geral, contenção no leito e passagem de sonda vesical não contribuem para a agitação psicomotora
  5. E) A aplicação do diazepam foi correta, visto que os benzodiazepínicos são drogas de escolha para situações como estas

Pérola Clínica

Idoso com alteração aguda da consciência, flutuação e agitação noturna → Delirium, investigar causa orgânica.

Resumo-Chave

O delirium é uma disfunção cerebral aguda e flutuante, comum em idosos hospitalizados, manifestando-se com alteração da atenção, consciência e cognição. Fatores como infecção (ITU), imobilização e uso de benzodiazepínicos podem precipitar ou agravar o quadro.

Contexto Educacional

O delirium, ou estado confusional agudo, é uma síndrome neuropsiquiátrica comum e grave, especialmente em idosos hospitalizados, com prevalência que pode chegar a 30% em pacientes internados. Caracteriza-se por uma alteração aguda e flutuante da atenção, consciência e cognição, sendo um marcador de disfunção cerebral orgânica subjacente. Sua identificação precoce é crucial devido à associação com aumento da morbidade, mortalidade e tempo de internação. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (principalmente acetilcolina e dopamina) e inflamação sistêmica. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na história do paciente, com ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method) auxiliando na triagem. Deve-se suspeitar de delirium em qualquer idoso com mudança aguda no estado mental, especialmente se houver fatores precipitantes como infecções (ITU), desidratação, polifarmácia ou imobilização. O tratamento do delirium foca na identificação e correção da causa subjacente, além de medidas de suporte e não farmacológicas. Evitar benzodiazepínicos, otimizar o ambiente (iluminação, ruído), promover mobilização precoce e garantir hidratação e nutrição adequadas são pilares. Antipsicóticos de baixa dose (como haloperidol) podem ser usados para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco, mas com cautela e por tempo limitado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium em idosos?

O delirium em idosos se manifesta por alteração aguda da atenção, consciência e cognição, com flutuação dos sintomas ao longo do dia, desorientação, agitação ou hipoatividade e, por vezes, alucinações.

Qual a importância de investigar a causa orgânica no delirium?

O delirium é uma manifestação de disfunção cerebral aguda, geralmente secundária a uma causa orgânica subjacente (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos). Identificar e tratar a causa é fundamental para a resolução do quadro.

Por que benzodiazepínicos e contenção física são contraindicados no manejo do delirium?

Benzodiazepínicos podem piorar a confusão e sedação em pacientes com delirium, enquanto a contenção física aumenta a agitação e o risco de complicações. O manejo deve focar na identificação da causa e medidas não farmacológicas.

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