Delirium em Idosos Hospitalizados: Prevenção e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 87a, foi hospitalizado há quatro dias por sepse secundária à pneumonia, em uso de amoxicilina-clavulanato. No terceiro dia de tratamento, iniciou episódios de confusão e agitação, apesar das medidas para não interromper o seu sono à noite e do uso adequado dos óculos. Nega dor. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial em uso de propranolol, hidroclorotiazida e enalapril. Exame físico: PA=132x74mmHg; FC=76bpm; FR=16irpm; temperatura=36,7ºC; oximetria de pulso=96% (ar ambiente). Neurológico: sem déficit focal; vígil e desorientado temporalmente. A MEDIDA MAIS APROPRIADA PARA O TRATAMENTO E PREVENÇÃO DO DELIRIUM NESTE PACIENTE É:

Alternativas

  1. A) Iniciar haloperidol.
  2. B) Iniciar lorazepam.
  3. C) Mobilizar precocemente.
  4. D) Retirar a hidroclorotiazida.

Pérola Clínica

Delirium em idosos hospitalizados → priorizar medidas não farmacológicas, como mobilização precoce e reorientação.

Resumo-Chave

O paciente idoso, hospitalizado por sepse, apresenta quadro de delirium (confusão e agitação de início agudo). A mobilização precoce é uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para a prevenção e tratamento do delirium em pacientes hospitalizados, especialmente idosos, pois ajuda a manter a função cognitiva e física.

Contexto Educacional

O delirium é uma disfunção cerebral aguda e reversível, caracterizada por uma alteração flutuante da atenção e cognição. É uma condição comum e grave em pacientes idosos hospitalizados, com incidência que pode chegar a 50% em unidades de terapia intensiva. Sua ocorrência está associada a piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, aumento da mortalidade e declínio funcional e cognitivo a longo prazo. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e estresse oxidativo. Fatores precipitantes incluem infecções (como a sepse e pneumonia do caso), medicamentos (benzodiazepínicos, anticolinérgicos), desidratação, dor, privação de sono e alterações metabólicas. O diagnóstico é clínico, baseado na observação de alterações agudas e flutuantes no estado mental, atenção e cognição. O tratamento e a prevenção do delirium são primariamente não farmacológicos. Medidas como mobilização precoce, reorientação temporal e espacial, manutenção de um ciclo sono-vigília regular, correção de déficits sensoriais (óculos, aparelhos auditivos), hidratação adequada e manejo da dor são fundamentais. A mobilização precoce, em particular, é uma intervenção de alta evidência para reduzir a incidência e a duração do delirium. O uso de fármacos (como haloperidol em baixas doses) é reservado para agitação grave que comprometa a segurança do paciente ou da equipe, sempre em conjunto com a investigação e tratamento da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, hospitalização, infecções (sepse, pneumonia), polifarmácia, desidratação, privação de sono, imobilidade, déficits sensoriais e comorbidades neurológicas ou psiquiátricas prévias.

Por que a mobilização precoce é uma medida eficaz contra o delirium?

A mobilização precoce ajuda a manter a função física e cognitiva, melhora a circulação, reduz a privação sensorial e promove um ciclo sono-vigília mais regular, fatores que contribuem para a prevenção e resolução do delirium.

Quando considerar o uso de medicação para o tratamento do delirium?

A medicação (geralmente antipsicóticos de baixa dose como haloperidol) deve ser reservada para casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco, após falha das medidas não farmacológicas e sempre em conjunto com a busca da causa subjacente.

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