HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Considere um paciente idoso, previamente independente para atividades de vida diária e sem outras comorbidades conhecidas além de hiperplasia prostática benigna. Interna em enfermaria clínica para compensação de quadro de retenção e secundária infecção urinária. Após sondagem vesical e início de antibiótico, durante visita de rotina você avalia o paciente que evolui com perda de atenção progredindo para agitação psicomotora, por vezes, agressiva. O nível de consciência é flutuante ao longo do dia, desorientado em tempo e espaço, com alucinações visuais eventuais e inversão do ciclo sono-vigília. Qual o diagnóstico neuropsiquiátrico mais provável e a melhor conduta ao caso:
Delirium em idosos → alteração aguda e flutuante da atenção/cognição, frequentemente precipitada por infecção ou internação.
O quadro clínico do paciente idoso, com início agudo, flutuação do nível de consciência, desatenção, desorientação, alucinações e inversão do ciclo sono-vigília, é clássico de delirium. A infecção urinária e a internação são fatores precipitantes comuns. O padrão hiperativo é evidente pela agitação. O manejo foca na causa subjacente e medidas não farmacológicas, com antipsicóticos para agitação grave.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, acompanhada por uma mudança na cognição ou no desenvolvimento de uma perturbação da percepção. É particularmente comum em pacientes idosos hospitalizados, sendo um marcador de fragilidade e associado a piores desfechos, como maior tempo de internação, institucionalização e mortalidade. Fatores precipitantes incluem infecções (como a infecção urinária no caso), desidratação, polifarmácia, cirurgias e alterações metabólicas. O caso descreve um paciente idoso que, após internação e tratamento para infecção urinária, desenvolve um quadro agudo de perda de atenção, agitação psicomotora, desorientação, alucinações visuais e inversão do ciclo sono-vigília, com nível de consciência flutuante. Essa apresentação é clássica de delirium, especificamente o padrão hiperativo, que se manifesta com agitação, hipervigilância e, por vezes, agressividade. É crucial reconhecer o delirium precocemente para iniciar o manejo adequado. A conduta para o delirium envolve primariamente a identificação e tratamento da causa subjacente (neste caso, a infecção urinária). Além disso, medidas não farmacológicas são essenciais, como reorientação constante do paciente, manutenção de um ambiente calmo e bem iluminado, correção de distúrbios sensoriais (óculos, aparelhos auditivos), e promoção de um ciclo sono-vigília regular. Para o manejo da agitação psicomotora grave que coloca o paciente ou outros em risco, medicações antipsicóticas (como haloperidol em baixas doses) podem ser utilizadas com cautela, sempre avaliando o risco-benefício, especialmente em idosos.
As características principais do delirium incluem uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, desorientação, distúrbios do ciclo sono-vigília, e por vezes, alucinações visuais. É um estado transitório e potencialmente reversível.
O delirium se diferencia da demência pelo início agudo, curso flutuante, e pela proeminência de distúrbios da atenção e do nível de consciência. A demência tem início insidioso e curso progressivo, com atenção geralmente preservada nas fases iniciais.
A abordagem inicial foca na identificação e tratamento da causa precipitante (ex: infecção), associada a medidas não farmacológicas (reorientação, ambiente calmo, hidratação). Antipsicóticos em baixas doses podem ser usados para controlar agitação grave e risco de auto ou heteroagressão.
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