Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo na Atenção Primária

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2019

Enunciado

Uma senhora de 85 anos de idade, tem visita domiciliar da Equipe de Saúde da Família (ESF) solicitada por sua cuidadora, pois há dois dias tem apresentado comportamento estranho. Fala coisas desconexas, teve alucinação visual e comporta-se de forma agressiva algumas vezes. A paciente faz seguimento regular com a ESF há 10 anos, atualmente com assistência domiciliar, pois está restrita ao lar, após uma queda sofrida há quatro anos. A médica da equipe conhece a paciente e sabe que ela nunca teve problemas cardiovasculares, cognitivos ou de saúde mental, e que não faz uso de medicamentos contínuos. No exame físico, mostra-se desorientada em relação ao tempo. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada, são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Quadro depressivo; tratamento medicamentoso com tricíclico e avaliação por psicólogo.
  2. B) Quadro infeccioso agudo; solicitação de raio X, exame de urina e hemograma para melhor avaliação.
  3. C) Demência de Alzheimer; encaminhamento para neurologista para realização de exames de imagem.
  4. D) Distúrbio de comportamento por transtorno psicótico; prescrição de antipsicótico e encaminhamento para psiquiatra.
  5. E) Quadro depressivo; encaminhamento para psicoterapia.

Pérola Clínica

Idoso com alteração súbita de comportamento e cognição → suspeitar de delirium, investigar causas orgânicas (infecção).

Resumo-Chave

Em idosos, especialmente frágeis e restritos ao lar, alterações agudas de comportamento e cognição (delirium) são frequentemente causadas por infecções, como ITU ou pneumonia, mesmo sem sintomas clássicos. A investigação etiológica deve ser ampla e rápida.

Contexto Educacional

Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da cognição, comum em idosos e associada a pior prognóstico. Sua prevalência é alta em ambientes hospitalares e de cuidados prolongados, sendo um marcador de fragilidade e vulnerabilidade. É crucial reconhecê-lo precocemente para evitar complicações e mortalidade, especialmente na atenção primária. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo disfunção de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e estresse oxidativo. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). A suspeita deve surgir diante de qualquer mudança aguda no estado mental de um idoso, mesmo sem sintomas clássicos de doença subjacente. A investigação etiológica é fundamental e deve incluir exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, função renal, urina) e, se necessário, imagem. O tratamento do delirium foca na identificação e correção da causa subjacente, além de medidas de suporte e controle ambiental. A abordagem não farmacológica é prioritária, visando reorientação, mobilização precoce e manutenção do ciclo sono-vigília. Antipsicóticos podem ser usados em baixas doses para agitação grave que coloque o paciente ou outros em risco, mas com cautela devido aos efeitos adversos. O prognóstico depende da causa e da rapidez do tratamento, mas o delirium é um fator de risco independente para demência e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para delirium em idosos?

Sinais de alerta incluem alteração aguda do nível de consciência, desorientação, flutuação do estado mental, alucinações e mudanças de comportamento, como agressividade ou apatia, que não são típicas do paciente.

Por que infecções são causas comuns de delirium em idosos?

Idosos, especialmente os frágeis, podem não apresentar sintomas clássicos de infecção (como febre alta) e manifestar-se com alterações cognitivas e comportamentais devido à menor reserva fisiológica e resposta inflamatória atípica.

Como diferenciar delirium de demência em idosos?

Delirium tem início agudo ou subagudo, curso flutuante e alteração da atenção, enquanto a demência tem início insidioso, curso crônico e progressivo, com atenção geralmente preservada no início.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo