HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2019
Uma senhora de 85 anos de idade, tem visita domiciliar da Equipe de Saúde da Família (ESF) solicitada por sua cuidadora, pois há dois dias tem apresentado comportamento estranho. Fala coisas desconexas, teve alucinação visual e comporta-se de forma agressiva algumas vezes. A paciente faz seguimento regular com a ESF há 10 anos, atualmente com assistência domiciliar, pois está restrita ao lar, após uma queda sofrida há quatro anos. A médica da equipe conhece a paciente e sabe que ela nunca teve problemas cardiovasculares, cognitivos ou de saúde mental, e que não faz uso de medicamentos contínuos. No exame físico, mostra-se desorientada em relação ao tempo. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada, são, respectivamente:
Idoso com alteração súbita de comportamento e cognição → suspeitar de delirium, investigar causas orgânicas (infecção).
Em idosos, especialmente frágeis e restritos ao lar, alterações agudas de comportamento e cognição (delirium) são frequentemente causadas por infecções, como ITU ou pneumonia, mesmo sem sintomas clássicos. A investigação etiológica deve ser ampla e rápida.
Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da cognição, comum em idosos e associada a pior prognóstico. Sua prevalência é alta em ambientes hospitalares e de cuidados prolongados, sendo um marcador de fragilidade e vulnerabilidade. É crucial reconhecê-lo precocemente para evitar complicações e mortalidade, especialmente na atenção primária. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo disfunção de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e estresse oxidativo. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). A suspeita deve surgir diante de qualquer mudança aguda no estado mental de um idoso, mesmo sem sintomas clássicos de doença subjacente. A investigação etiológica é fundamental e deve incluir exames laboratoriais (hemograma, eletrólitos, função renal, urina) e, se necessário, imagem. O tratamento do delirium foca na identificação e correção da causa subjacente, além de medidas de suporte e controle ambiental. A abordagem não farmacológica é prioritária, visando reorientação, mobilização precoce e manutenção do ciclo sono-vigília. Antipsicóticos podem ser usados em baixas doses para agitação grave que coloque o paciente ou outros em risco, mas com cautela devido aos efeitos adversos. O prognóstico depende da causa e da rapidez do tratamento, mas o delirium é um fator de risco independente para demência e mortalidade.
Sinais de alerta incluem alteração aguda do nível de consciência, desorientação, flutuação do estado mental, alucinações e mudanças de comportamento, como agressividade ou apatia, que não são típicas do paciente.
Idosos, especialmente os frágeis, podem não apresentar sintomas clássicos de infecção (como febre alta) e manifestar-se com alterações cognitivas e comportamentais devido à menor reserva fisiológica e resposta inflamatória atípica.
Delirium tem início agudo ou subagudo, curso flutuante e alteração da atenção, enquanto a demência tem início insidioso, curso crônico e progressivo, com atenção geralmente preservada no início.
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