Delirium em Idosos: Manejo e Prevenção de Complicações

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022

Enunciado

O quadro de delirium é uma entidade clínica muito frequente na população geriátrica, principalmente no contexto de internação hospitalar. Acerca do tratamento desse quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Após o diagnóstico de delirium, faz-se necessário o uso rotineiro de neurolépticos, podendo eles ser típicos, como, por exemplo, o haloperidol, ou atípicos, como, por exemplo, a quetiapina.
  2. B) Em alguns momentos, os pacientes podem desenvolver quadro de agitação e, nessas situações, prefere-se a contenção física do indivíduo, em detrimento da contenção medicamentosa, devido ao risco de sedação e broncoaspiração com o uso de neurolépticos.
  3. C) Por se tratar de um quadro com muitas alucinações visuais, tremores a agitação, a droga de escolha é o benzodiazepínico, pois é a melhor droga para controlar o quadro de abstinência.
  4. D) Por se tratar, primeiramente, de um quadro de etiologia multifatorial, deve-se atuar nos fatores desencadeantes. Em situações de agitação e riscos ao paciente, está autorizada a contenção farmacológica e, até mesmo, a contenção física, no entanto esta última nunca deve ser uma medida isolada.
  5. E) Como o principal fator desencadeante é infeccioso, uma vez diagnosticado o delirium, é fundamental a instituição de antibioticoterapia para o tratamento da possível infecção ou para o afastamento dessa possibilidade.

Pérola Clínica

Delirium: etiologia multifatorial → atuar nos fatores desencadeantes; contenção (farmacológica/física) apenas se risco, NUNCA isolada.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome aguda de disfunção cerebral com etiologia multifatorial, comum em idosos hospitalizados. O tratamento primário foca na identificação e correção dos fatores desencadeantes. A contenção, seja farmacológica ou física, deve ser uma medida de último recurso, utilizada apenas para garantir a segurança do paciente e da equipe, e nunca de forma isolada, sempre associada à investigação e tratamento da causa.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, com disfunção cognitiva. É extremamente comum em pacientes idosos hospitalizados, com prevalência que pode chegar a 50% em unidades de terapia intensiva, e está associado a piores desfechos, como aumento da mortalidade e do tempo de internação. Sua etiologia é multifatorial, sendo essencial a busca ativa por fatores desencadeantes como infecções (urinárias, respiratórias), distúrbios hidroeletrolíticos, desidratação, dor não controlada, polifarmácia (especialmente anticolinérgicos e benzodiazepínicos), privação de sono e ambiente hospitalar inadequado. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). O tratamento primário do delirium é não farmacológico e focado na reversão dos fatores precipitantes. Medidas como reorientação, mobilização precoce, otimização do sono, hidratação e nutrição adequadas são cruciais. A contenção farmacológica (com antipsicóticos como haloperidol em baixas doses) ou física deve ser reservada para casos de agitação grave que coloquem o paciente ou a equipe em risco, sempre como medida temporária e acompanhada da investigação e tratamento da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, infecções, distúrbios eletrolíticos, privação de sono, dor não controlada, uso de cateteres e cirurgias, especialmente as de grande porte.

Qual a primeira linha de tratamento para o delirium?

A primeira linha de tratamento é a identificação e correção dos fatores desencadeantes subjacentes, como infecções, desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos, suspensão de medicamentos precipitantes e manejo da dor.

Quando a contenção farmacológica ou física é indicada no delirium?

A contenção, seja farmacológica (com antipsicóticos em baixas doses, como haloperidol) ou física, é indicada apenas em situações de agitação grave que representem risco para o paciente ou para a equipe, e sempre como medida temporária e não isolada, enquanto se busca a causa e se implementam medidas não farmacológicas.

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