Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo Agudo

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Sr. José tem 86 anos e desde a morte da sua esposa, há 30 dias, passou a viver na casa do seu filho Paulo, 58 anos, e da sua nora Elizabeth, 54 anos. O casal, de classe média, teve dois filhos: Júnior e Henrique. O casal vive com o filho mais novo Henrique, atualmente com 16 anos, em um apartamento de dois quartos. Júnior morava com eles, mas faleceu em um acidente de carro há seis meses. Logo após a morte de sua esposa, e tendo ficado muito triste e com dificuldade de dormir, Sr. José foi levado a um médico que prescreveu diazepam 5mg à noite. Quando Sr. José chegou, passou a dormir no quarto com Henrique, mas, há dez dias foi acomodado na sala, num sofá-cama, pois tanto Sr. José quanto Henrique não se adaptaram à situação e o avô não quis desalojar o neto do seu quarto.Há três dias, Sr. José começou a apresentar quadro de agitação psicomotora, com dificuldade de lembrar de fatos recém-ocorridos, dormindo pouco durante o dia e ficando acordado à noite, referindo algumas alucinações visuais. Ele estava ingerindo pouca água e sua alimentação estava irregular. Os familiares interpretaram como “coisa de pessoa idosa”. Nos últimos dias, com a mudança de quarto e de cama, ele passou a usar dois comprimidos de diazepam. Com a piora do quadro, Sr. José foi levado ao pronto-atendimento do convênio médico. Após a consulta, foi feito esse registro no seu prontuário: “Queixas pouco específicas de confusão mental; exame físico: hipohidratado; FC = 98 bpm; níveis tensionais: 150 x 90mmHg na posição sentado e de 120 x 90 mmHg na posição em pé e sem outras alterações dignas de nota; descartadas doenças infecciosas; tomografia cranioencefálica recente normal para idade; EAS: normal;conduta: incentivar alimentação e ingesta hídrica; iniciado anti-hipertensivo: losartana 50 mg/dia; observação: encaminhado ao cardiologista.” Considerando as informações do quadro: Aponte duas alternativas de medicamentos (grupos farmacológicos ou substâncias) que poderiam ser utilizados para tratar o quadro do Sr. José. Obs.: serão aceitos medicamentos dos grupos, combinados ou não, ou os grupos.

Alternativas

Pérola Clínica

Delirium em idoso: multifatorial (desidratação, polifarmácia, privação sono, estresse) → tratar causas e usar antipsicótico atípico se necessário.

Resumo-Chave

O quadro do Sr. José é altamente sugestivo de delirium, precipitado por múltiplos fatores como desidratação, uso inadequado de benzodiazepínicos (diazepam), privação de sono e estresse psicossocial. O manejo envolve identificar e corrigir as causas subjacentes, além de considerar antipsicóticos atípicos em baixas doses para controle da agitação se medidas não farmacológicas falharem.

Contexto Educacional

O caso do Sr. José ilustra um quadro clássico de delirium em idosos, uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, acompanhada de alterações cognitivas e perceptivas. É uma condição comum e grave em pacientes idosos, frequentemente precipitada por múltiplos fatores. No Sr. José, vários fatores contribuíram: a idade avançada, o luto recente (estresse psicossocial), a mudança de ambiente (desorientação), a privação de sono, a desidratação e a alimentação irregular, e, crucialmente, o uso de diazepam, um benzodiazepínico que pode exacerbar ou precipitar o delirium em idosos devido à sua meia-vida longa e efeitos sedativos e anticolinérgicos. A hipotensão postural também é um achado relevante. O manejo do delirium é multifacetado e foca na identificação e correção das causas subjacentes. Isso inclui hidratação adequada, otimização da nutrição, manejo da dor, correção de distúrbios eletrolíticos, e revisão da medicação (suspender ou reduzir benzodiazepínicos). Para o controle da agitação psicomotora, se as medidas não farmacológicas falharem, os antipsicóticos atípicos em baixas doses (como haloperidol, risperidona ou quetiapina) são as opções de escolha, evitando-se o uso de benzodiazepínicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, polifarmácia, desidratação, infecções, cirurgias, privação de sono, dor, alterações metabólicas e uso de medicamentos com ação anticolinérgica ou sedativa.

Por que benzodiazepínicos como o diazepam são problemáticos em idosos?

Benzodiazepínicos podem causar sedação excessiva, confusão, quedas e exacerbar o delirium em idosos devido à sua meia-vida prolongada e maior sensibilidade aos efeitos no sistema nervoso central, devendo ser evitados ou usados com extrema cautela.

Quais medicamentos podem ser usados para tratar a agitação no delirium?

Após a correção das causas subjacentes e falha de medidas não farmacológicas, antipsicóticos atípicos em baixas doses (ex: haloperidol, risperidona, quetiapina) são as opções preferenciais para controlar a agitação psicomotora no delirium.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo