Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo da Hipotensão

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 76a, mora sozinho, trazido pela filha à emergência por desorientação em tempo e espaço e agitação psicomotora há três dias. Tem história de perda de memória há cerca de dois anos, associado à dificuldade de reconhecer objetos pessoais. Possui episódios de quedas da própria altura não presenciadas há dois meses. Antecedentes pessoais: dois episódios de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos há 10 anos e hipertensão arterial. Medicações em uso: AAS 100mg/dia, enalapril 10mg 12/12h, anlodipina 5mg 12/12h e propranolol 40mg 12/12h. Exame físico: hidratado, corado, agitado e desorientado em tempo e espaço. PA=90/60mmHg; FC=68bpm; FR=19irm; Temperatura axilar=36ºC. Exame neurológico: Kernig=negativo; sem rigidez de nuca; força motora grau 5 em membros superiores e inferiores. Tomografia de crânio (IMAGEM Q57)A CONDUTA TERAPÊUTICA IMEDIATA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Idoso com delirium agudo e hipotensão → investigar causas reversíveis, especialmente hipovolemia ou efeitos adversos de medicamentos.

Resumo-Chave

Delirium em idosos é uma emergência comum, frequentemente precipitada por condições clínicas agudas como infecções, desidratação, distúrbios metabólicos ou efeitos adversos de medicamentos. A hipotensão neste paciente sugere hipovolemia ou superdosagem/interação medicamentosa como causas potenciais, exigindo investigação e correção imediatas.

Contexto Educacional

Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, comum em idosos hospitalizados e com comorbidades. Sua prevalência é alta, chegando a 30% em pacientes internados, e está associada a piores desfechos, como aumento da mortalidade e institucionalização. É crucial reconhecê-lo precocemente devido à sua reversibilidade potencial e impacto significativo na qualidade de vida. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CAM (Confusion Assessment Method). Deve-se suspeitar de delirium em qualquer idoso com mudança aguda do estado mental, especialmente na presença de infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios eletrolíticos, polifarmácia ou eventos cerebrovasculares. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes. No caso de hipotensão, como no paciente, a reposição volêmica com cristaloides é uma conduta imediata se houver suspeita de hipovolemia. A revisão de medicações (especialmente anti-hipertensivos, sedativos, anticolinérgicos) e a busca por infecções são essenciais. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce e direcionada à causa, minimizando complicações e sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para delirium em idosos com demência pré-existente?

Sinais de alerta incluem mudança aguda no nível de consciência, atenção ou cognição, flutuação dos sintomas, agitação ou letargia, e alteração do ciclo sono-vigília. É fundamental diferenciar da progressão lenta da demência, que tem início insidioso.

Qual a conduta inicial para um idoso com delirium e hipotensão arterial?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos se houver sinais de hipovolemia, revisão e ajuste de medicações que possam causar hipotensão ou delirium, e busca ativa por infecções, distúrbios metabólicos ou outras causas reversíveis.

Como diferenciar delirium de demência em um paciente idoso?

O delirium tem início agudo, curso flutuante, e afeta primariamente a atenção e o nível de consciência. A demência tem início insidioso, curso progressivo e afeta principalmente a memória e outras funções cognitivas, com atenção geralmente preservada no início.

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