UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Um homem de 78 anos é internado para tratamento de uma pneumonia comunitária. É hipertenso e apresenta lombalgia crônica em uso de dipirona. Após 48 horas de internação, a equipe de enfermagem relata que ele está agitado, confuso e tentando sair do leito. Na avaliação, o paciente apresenta desorientação temporo-espacial, dificuldade de atenção e queixa de dor lombar. Seus sinais vitais mostram temperatura de 37,3°C, frequência cardíaca de 96 bpm, frequência respiratória de 22 irpm, pressão arterial de 130/85 mmHg e saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. O exame físico revela estertores bibasais e dor à palpação lombar. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais indicada no momento.
Delirium em idosos = alteração aguda da atenção e cognição. Conduta: identificar e tratar a causa subjacente (ex: dor, infecção, fármacos).
O paciente idoso internado por pneumonia, com lombalgia crônica e em uso de dipirona, desenvolve delirium. A agitação e confusão são sintomas do delirium, e a conduta mais apropriada é identificar e tratar a causa subjacente, sendo a dor lombar uma causa reversível e comum.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência, com alterações cognitivas adicionais. É uma condição comum em idosos hospitalizados, com prevalência que pode chegar a 50% em pacientes cirúrgicos e em UTI, sendo um marcador de fragilidade e associado a piores desfechos, como maior tempo de internação, institucionalização e mortalidade. Para residentes e estudantes, é crucial reconhecer o delirium, que pode se apresentar de forma hiperativa (agitação), hipoativa (sonolência, letargia) ou mista, e diferenciá-lo de demência ou depressão. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. O diagnóstico é clínico, utilizando ferramentas como CAM (Confusion Assessment Method). O tratamento do delirium é primariamente etiológico, ou seja, focado na identificação e correção das causas subjacentes, como infecções (pneumonia, ITU), distúrbios hidroeletrolíticos, dor não controlada, retenção urinária/fecal, privação de sono e uso de medicamentos com potencial delirogênico. Medidas não farmacológicas, como reorientação, ambiente calmo, mobilização precoce e manutenção do ciclo sono-vigília, são a base do manejo. O uso de antipsicóticos (ex: haloperidol) deve ser reservado para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco, e benzodiazepínicos devem ser evitados, exceto em delirium por abstinência alcoólica.
Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, múltiplas comorbidades, polifarmácia, desidratação, infecções (como pneumonia), dor não controlada, privação de sono, cirurgias e uso de certos medicamentos (ex: anticolinérgicos, benzodiazepínicos).
A abordagem inicial deve focar na identificação e tratamento da causa subjacente, como infecções, desidratação, dor, distúrbios metabólicos ou efeitos adversos de medicamentos. Medidas não farmacológicas para reorientação e ambiente calmo são cruciais.
A dor não controlada é um fator precipitante comum de delirium em idosos. Otimizar a analgesia, utilizando analgésicos apropriados e evitando aqueles com efeitos colaterais que podem piorar o delirium (como opioides em excesso), pode resolver ou melhorar significativamente o quadro confusional.
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