Delirium em Idosos: Diagnóstico e Sinais Chave

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 67 anos, internado devido à pneumonia, apresenta há dois dias inquietação, choro fácil, desorientação têmporo-espacial, dificuldade de manter a atenção, falhas de memória e inversão do ciclo sono-vigília. Refere que foi trazido para este lugar sem que sua família soubesse e vão usá-lo como cobaia em um novo tratamento para covid-19. Pede ajuda ao pessoal da limpeza, para fugir ou chamar a polícia. Em alguns momentos, reconhece que está no hospital para tratamento e diz estar triste, sentindo-se sozinho e com saudade da família. É correto afirmar que o diagnóstico é

Alternativas

  1. A) transtorno depressivo maior, com sintomas psicóticos associados.
  2. B) transtorno delirante.
  3. C) delirium.
  4. D) transtorno neurocognitivo com sintomas psicóticos associados.

Pérola Clínica

Delirium = início agudo + flutuação + desatenção + alteração cognição/percepção.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos. Caracteriza-se por alteração da atenção e cognição, com distúrbios do ciclo sono-vigília e, frequentemente, sintomas psicóticos transitórios como delírios persecutórios.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por uma alteração na atenção e na consciência, acompanhada por uma mudança na cognição ou no desenvolvimento de uma perturbação da percepção. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos, com uma prevalência que pode chegar a 30% em enfermarias médicas e até 80% em unidades de terapia intensiva. Sua importância clínica reside no fato de estar associado a piores desfechos, incluindo maior tempo de internação, aumento da morbidade e mortalidade, e declínio funcional e cognitivo a longo prazo. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (principalmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na história do paciente, sendo fundamental a identificação do início agudo e do curso flutuante. A suspeita deve ser alta em pacientes idosos com infecções, pós-operatório, polifarmácia ou comorbidades crônicas. A avaliação inclui a busca por fatores precipitantes e a exclusão de outras condições. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes (ex: infecção, desidratação, distúrbios eletrolíticos, suspensão de medicamentos), além de medidas de suporte e controle dos sintomas. O manejo não farmacológico é prioritário, incluindo reorientação, manutenção do ciclo sono-vigília, mobilização precoce e hidratação. O uso de antipsicóticos (como haloperidol) pode ser considerado para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco, mas deve ser feito com cautela devido aos efeitos adversos. O prognóstico varia conforme a causa e a rapidez do tratamento, mas o delirium é um marcador de fragilidade e risco de declínio cognitivo futuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para delirium?

Os principais critérios incluem distúrbio da atenção e consciência, início agudo e curso flutuante, e distúrbio cognitivo adicional (memória, desorientação, linguagem). A alteração não deve ser explicada por outra condição neurocognitiva preexistente.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo (horas a dias), curso flutuante ao longo do dia, e afeta primariamente a atenção e o nível de consciência. A demência tem início insidioso (meses a anos), curso progressivo e afeta primariamente a memória e outras funções cognitivas, com consciência geralmente preservada.

Quais são os fatores de risco mais comuns para delirium em pacientes hospitalizados?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência preexistente, múltiplas comorbidades, uso de múltiplos medicamentos (especialmente anticolinérgicos e benzodiazepínicos), infecções (como pneumonia), desidratação, privação de sono e cirurgias.

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