UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Gustavo, 75 anos, morador de uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) chega ao pronto-atendimento (PA) assustado, aos gritos, dizendo que os médicos, os familiares e cuidadores estão sendo controlados por extraterrestres para abduzi-lo e matá-lo. Mostra se muito agressivo com a equipe médica, resiste a qualquer aproximação, profere palavrões e tenta agredir, ao menor contato. O quadro começou há dois dias, com piora gradativa. Não há história prévia de sintomas sugestivos de doença mental. A conduta mais adequada seria
Idoso com agitação aguda e delírios sem histórico psiquiátrico → Delirium até prova em contrário. Contenção + Investigação etiológica.
Em idosos, um quadro agudo de agitação psicomotora, delírios e agressividade, sem histórico psiquiátrico, sugere fortemente delirium. A prioridade é garantir a segurança do paciente e da equipe através de contenção (química ou física, se necessário) e, em seguida, iniciar uma investigação etiológica completa para identificar a causa subjacente.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbios da atenção, consciência e cognição. É particularmente comum em idosos, especialmente aqueles em instituições de longa permanência, e representa uma emergência médica. Sua importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade associadas, sendo um marcador de fragilidade e um preditor de piores desfechos. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e a suspeita deve ser alta em qualquer idoso com mudança aguda no estado mental. A apresentação pode ser hipoativa, hiperativa ou mista. O manejo do delirium envolve duas frentes: controle dos sintomas e tratamento da causa subjacente. Para agitação grave, a contenção (química com antipsicóticos atípicos ou haloperidol em baixas doses, ou física se indispensável) é crucial para a segurança. Simultaneamente, uma investigação etiológica completa (exames laboratoriais, imagem) deve ser realizada para identificar e tratar a condição precipitante.
O delirium em idosos é caracterizado por um início agudo e flutuante de distúrbios da atenção e da consciência, acompanhado por alterações cognitivas e perceptivas, como delírios e alucinações, sem histórico prévio de doença mental.
A conduta inicial é garantir a segurança do paciente e da equipe, o que pode incluir contenção física e/ou química (com antipsicóticos de baixa dose, como haloperidol ou risperidona). Após estabilização, deve-se iniciar uma investigação etiológica urgente.
As causas são multifatoriais e incluem infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios eletrolíticos, uso/abuso de medicamentos (especialmente anticolinérgicos, benzodiazepínicos), dor, retenção urinária ou fecal, e condições neurológicas agudas.
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