Delirium em Idosos: Manejo da Agitação e Investigação

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Gustavo, 75 anos, morador de uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) chega ao pronto-atendimento (PA) assustado, aos gritos, dizendo que os médicos, os familiares e cuidadores estão sendo controlados por extraterrestres para abduzi-lo e matá-lo. Mostra se muito agressivo com a equipe médica, resiste a qualquer aproximação, profere palavrões e tenta agredir, ao menor contato. O quadro começou há dois dias, com piora gradativa. Não há história prévia de sintomas sugestivos de doença mental. A conduta mais adequada seria

Alternativas

  1. A) prescrever haloperidol gotas para ser administrado na ILPI, sendo que, se não houver melhora, deverá ser consultado um psiquiatra.
  2. B) providenciar, em primeiro plano, exames de imagem e laboratoriais para investigação etiológica e, logo após prescrever antipsicótico de acordo com os achados e orientações da equipe de psiquiatria.
  3. C) realizar contenção, preferencialmente química, até o paciente se acalmar. Em seguida, realizar investigação etiológica mais detalhada.
  4. D) investir no diálogo empático para acalmar o paciente, prescrever risperidona e clorpromazina oral, depois referenciar ao psiquiatra.
  5. E) administrar diazepam, IM, 10mg 1x ao dia, até o paciente retomar suas atividades habituais na ILPI.

Pérola Clínica

Idoso com agitação aguda e delírios sem histórico psiquiátrico → Delirium até prova em contrário. Contenção + Investigação etiológica.

Resumo-Chave

Em idosos, um quadro agudo de agitação psicomotora, delírios e agressividade, sem histórico psiquiátrico, sugere fortemente delirium. A prioridade é garantir a segurança do paciente e da equipe através de contenção (química ou física, se necessário) e, em seguida, iniciar uma investigação etiológica completa para identificar a causa subjacente.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbios da atenção, consciência e cognição. É particularmente comum em idosos, especialmente aqueles em instituições de longa permanência, e representa uma emergência médica. Sua importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade associadas, sendo um marcador de fragilidade e um preditor de piores desfechos. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e a suspeita deve ser alta em qualquer idoso com mudança aguda no estado mental. A apresentação pode ser hipoativa, hiperativa ou mista. O manejo do delirium envolve duas frentes: controle dos sintomas e tratamento da causa subjacente. Para agitação grave, a contenção (química com antipsicóticos atípicos ou haloperidol em baixas doses, ou física se indispensável) é crucial para a segurança. Simultaneamente, uma investigação etiológica completa (exames laboratoriais, imagem) deve ser realizada para identificar e tratar a condição precipitante.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características do delirium em idosos?

O delirium em idosos é caracterizado por um início agudo e flutuante de distúrbios da atenção e da consciência, acompanhado por alterações cognitivas e perceptivas, como delírios e alucinações, sem histórico prévio de doença mental.

Qual a conduta inicial para um idoso com agitação psicomotora grave e suspeita de delirium?

A conduta inicial é garantir a segurança do paciente e da equipe, o que pode incluir contenção física e/ou química (com antipsicóticos de baixa dose, como haloperidol ou risperidona). Após estabilização, deve-se iniciar uma investigação etiológica urgente.

Quais são as causas mais comuns de delirium em idosos?

As causas são multifatoriais e incluem infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios eletrolíticos, uso/abuso de medicamentos (especialmente anticolinérgicos, benzodiazepínicos), dor, retenção urinária ou fecal, e condições neurológicas agudas.

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