UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Homem idoso apresentou quadro de agitação associado a um episódio de delirium hiperativo, no hospital, e melhorou após ter recebido 2 mg de haloperidol EV. Dois dias após esse episódio, o paciente seguia em uso de Haloperidol 1 mg VO duas vezes ao dia e encontrava-se desorientado quanto a data, porém orientado no espaço, sem sinais de déficit de atenção ou desorganização de pensamento. A despeito disso, o paciente apresenta-se bastante inquieto a ponto de não conseguir ficar deitado no leito e desejar ficar em pé ou andando continuamente. Qual é a conduta MAIS APROPRIADA nesse momento?
Idoso com agitação e inquietude após haloperidol → suspeitar acatisia (efeito extrapiramidal) → suspender haloperidol.
O paciente idoso, após uso de haloperidol para delirium, apresenta inquietude intensa e incapacidade de ficar parado, mesmo com melhora do delirium. Este quadro é altamente sugestivo de acatisia, um efeito adverso extrapiramidal comum do haloperidol, especialmente em idosos. A conduta mais apropriada é suspender o haloperidol e reavaliar.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, comum em pacientes idosos hospitalizados, caracterizada por distúrbio da atenção e da consciência. O manejo do delirium, especialmente o hiperativo, frequentemente envolve o uso de antipsicóticos como o haloperidol. No entanto, a população idosa é particularmente vulnerável aos efeitos adversos desses medicamentos, devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade. A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo disfunção de neurotransmissores (acetilcolina, dopamina) e inflamação sistêmica. O haloperidol atua bloqueando receptores dopaminérgicos D2, o que pode ser eficaz no controle da agitação, mas também leva a efeitos extrapiramidais. A acatisia, uma síndrome de inquietude motora, é um efeito adverso comum e deve ser prontamente reconhecida. O diagnóstico de acatisia é clínico, baseado na observação da inquietude e na história de uso de antipsicóticos. O tratamento envolve a suspensão ou redução do haloperidol. O prognóstico do delirium melhora com o manejo adequado da causa subjacente e a minimização de medicamentos precipitantes. Pontos de atenção incluem a monitorização rigorosa de efeitos adversos em idosos e a preferência por doses mínimas eficazes e pelo menor tempo de uso possível de antipsicóticos.
Em idosos, o haloperidol pode causar efeitos extrapiramidais como acatisia, parkinsonismo e discinesia tardia, além de sedação excessiva, hipotensão ortostática e prolongamento do intervalo QT.
A acatisia é caracterizada por uma necessidade subjetiva de mover-se e uma inquietude motora objetiva, onde o paciente não consegue ficar parado. A agitação do delirium é mais desorganizada e pode vir acompanhada de outras alterações cognitivas e perceptivas.
A conduta inicial é a redução da dose ou a suspensão do antipsicótico causador, se possível. Em alguns casos, pode-se considerar o uso de betabloqueadores (propranolol) ou benzodiazepínicos.
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