Delirium em Idosos: Causas, Diagnóstico e Manejo

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Idoso de 75 anos é trazido por seus familiares devido à quadro de agitação psicomotora e inversão do ciclo sono-vigília há três dias. No dia anterior estava orientado, independente e autônomo. É hipertenso e diabético controlado, fazendo uso regular de suas medicações. O filho associa o início do quadro ao uso, por conta própria, de medicação para dormir. Sobre este caso, marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O AVE não é uma opção de etiologia, pois o paciente não possui sintomas focais, como desvio de rima e afasia
  2. B) Infecções, embora causa provável de estado confusional em idosos, são bastante incomuns no dia-a-dia
  3. C) A hipernatremia é causa comum nas urgências e enfermarias de clínica médica, sendo a SIADH (síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético) a mais relacionada
  4. D) São causas comuns de Delirium algumas medicações como anticolinérgicos, antihistamínicos e benzodiazepínicos, por isto são consideradas inapropriadas para idosos

Pérola Clínica

Delirium em idosos → início agudo, flutuante, alteração atenção/cognição, frequentemente induzido por fármacos (benzodiazepínicos, anticolinérgicos).

Resumo-Chave

O quadro de agitação psicomotora e inversão do ciclo sono-vigília de início agudo em idoso previamente orientado sugere Delirium. O uso recente de medicação para dormir (provavelmente benzodiazepínicos) é um forte fator precipitante, pois muitos fármacos, incluindo anticolinérgicos e antihistamínicos, são conhecidos por induzir Delirium em idosos e são considerados inapropriados.

Contexto Educacional

O Delirium, também conhecido como síndrome confusional aguda, é uma condição neuropsiquiátrica comum e grave em idosos, caracterizada por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, acompanhada de distúrbios do ciclo sono-vigília e do nível de consciência. Sua prevalência é alta em ambientes hospitalares e de emergência, sendo um marcador de fragilidade e um preditor independente de morbimortalidade, institucionalização e declínio funcional. A fisiopatologia do Delirium é multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, utilizando ferramentas como o Confusion Assessment Method (CAM). Fatores precipitantes são numerosos e incluem infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios eletrolíticos, dor, retenção urinária, constipação, privação de sono e, crucialmente, o uso de certos medicamentos. O manejo do Delirium em idosos foca na identificação e tratamento da causa subjacente, além de medidas de suporte e controle dos sintomas. É fundamental revisar a farmacoterapia do paciente, suspendendo ou ajustando doses de medicamentos que podem precipitar ou agravar o quadro, como anticolinérgicos, benzodiazepínicos, opioides e anti-histamínicos de primeira geração, que são frequentemente considerados inapropriados para essa população devido aos seus efeitos no sistema nervoso central. A prevenção, através da otimização do ambiente e da identificação de fatores de risco, é a melhor estratégia.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas do Delirium em idosos?

O Delirium é caracterizado por um início agudo e flutuante da alteração da atenção e da cognição, com desorientação, agitação ou hipoatividade, e inversão do ciclo sono-vigília. É uma condição reversível, mas que indica uma causa subjacente.

Quais medicamentos são frequentemente associados ao Delirium em idosos?

Medicamentos com efeitos anticolinérgicos (antidepressivos tricíclicos, alguns anti-histamínicos, antiespasmódicos), benzodiazepínicos, opioides, e alguns diuréticos ou anti-hipertensivos podem precipitar o Delirium em pacientes idosos, que são mais sensíveis a esses efeitos.

Como diferenciar Delirium de Demência em idosos?

O Delirium tem início agudo, curso flutuante e afeta primariamente a atenção, sendo geralmente reversível. A demência tem início insidioso, curso progressivo e afeta primariamente a memória, sendo irreversível. No entanto, pacientes com demência têm maior risco de desenvolver Delirium.

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