Delirium no Idoso: Diagnóstico Diferencial e Características Chave

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 72 anos, com septicemia secundária à infecção urinária, apresenta confusão mental aguda na internação sendo medicada com haloperidol, configurando caso de delirium, o que é comum no idoso internado. Em relação ao diagnóstico diferencial do delirium no idoso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) No delirium, a estimulação cognitiva nunca ajuda.
  2. B) Ao contrário da demência e da depressão, no delirium a consciência é clara.
  3. C) Seu principal diagnóstico diferencial são as psicoses funcionais.
  4. D) Tanto no delirium como na demência a linguagem é normal.
  5. E) Ao contrário da depressão, no delirium, a cognição é globalmente prejudicada.

Pérola Clínica

Delirium → início agudo, flutuante, consciência alterada, cognição globalmente prejudicada.

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência, além de prejuízo cognitivo global. Diferencia-se da depressão, onde o prejuízo cognitivo é mais seletivo e a consciência geralmente está preservada.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por uma alteração da atenção e da consciência, acompanhada por uma mudança na cognição ou desenvolvimento de uma perturbação da percepção. É uma condição comum e grave em idosos hospitalizados, frequentemente associada a piores desfechos, como aumento da mortalidade, tempo de internação e risco de demência. Sua etiologia é multifatorial, incluindo infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos e desidratação. O diagnóstico diferencial do delirium é fundamental, especialmente em relação à demência e à depressão. Enquanto a demência apresenta um início insidioso e um curso progressivo com consciência preservada, o delirium se manifesta de forma aguda, com flutuações ao longo do dia e uma notável alteração do nível de consciência. Em contraste com a depressão, onde o prejuízo cognitivo pode ser mais seletivo (ex: dificuldade de concentração), no delirium, a cognição é globalmente prejudicada, afetando memória, linguagem, percepção e raciocínio. A identificação precoce do delirium e a distinção de outras condições são cruciais para o manejo adequado. O tratamento foca na correção da causa subjacente e no suporte não farmacológico, com o uso de antipsicóticos como o haloperidol reservado para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco. Residentes devem estar aptos a reconhecer essa condição e iniciar a investigação etiológica prontamente para otimizar o prognóstico do paciente idoso.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do delirium?

O delirium se manifesta com alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência, desorientação, distúrbios do ciclo sono-vigília, alterações psicomotoras e prejuízo cognitivo global.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo, curso flutuante e alteração da consciência, enquanto a demência tem início insidioso, curso progressivo e consciência geralmente preservada nas fases iniciais. A atenção está mais comprometida no delirium.

Qual a importância de um diagnóstico precoce de delirium?

O diagnóstico precoce do delirium é crucial para identificar e tratar a causa subjacente, prevenir complicações como quedas e institucionalização, e melhorar o prognóstico do paciente idoso.

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