Delirium e Polifarmácia no Idoso: Diagnóstico Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 75 anos de idade, acompanhado da filha, é atendido em consulta no ambulatório de Geriatria. A filha revela estar preocupada com os problemas de memória do pai que, segundo ela, tem estado desatento nas últimas 2 semanas, incapaz de lembrar seus compromissos, além de ter se perdido ao dirigir, ter sido incapaz de utilizar o telefone celular e de não ter certeza do próprio endereço. A filha informa que o paciente faz uso de vários medicamentos, não sabendo informar o nome deles. O paciente não apresenta sintomas depressivos comórbidos e não tem história pregressa de uso de tabaco ou álcool. Ao exame físico, o paciente mostra-se normal. Considerando a situação descrita, a medida inicial apropriada para a elucidação diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Excluir a possibilidade de delirium por uso de medicações, pedindo à filha que traga a lista completa de medicações em uso pelo paciente.
  2. B) Iniciar o diagnóstico diferencial de demências mediante a solicitação de ressonância magnética do cérebro.
  3. C) Avaliar a possibilidade de tumor cerebral e solicitar tomografia computadorizada do cérebro.
  4. D) Investigar a possibilidade de neurocisticercose e solicitar tomografia computadorizada do cérebro.

Pérola Clínica

Início agudo (<2 semanas) de déficit cognitivo no idoso → Investigar Delirium/Medicamentos antes de Demência.

Resumo-Chave

O declínio cognitivo súbito em idosos sugere causas secundárias e potencialmente reversíveis, como infecções ou efeitos colaterais de fármacos (delirium), diferenciando-se do curso insidioso das demências primárias.

Contexto Educacional

O manejo do idoso com queixa cognitiva exige uma abordagem sistemática que priorize a segurança e a reversibilidade. O delirium é uma emergência médica frequentemente subdiagnosticada, associada a maior morbimortalidade e declínio funcional permanente. A identificação de fatores precipitantes, como a introdução de novos fármacos ou infecções subclínicas, é o pilar do tratamento. Este cenário clínico destaca a importância da anamnese detalhada e da revisão medicamentosa. Em geriatria, o princípio 'start low, go slow' deve ser acompanhado pela vigilância constante contra a cascata iatrogênica, onde um novo sintoma (confusão) é tratado com outro medicamento, em vez de se investigar a causa base.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre Delirium e Demência?

A principal diferença reside na temporalidade e no nível de consciência. O delirium apresenta um início agudo (horas ou dias), curso flutuante e comprometimento da atenção e do nível de consciência. Já a demência (como o Alzheimer) possui um início insidioso, progressão lenta ao longo de meses ou anos, e a consciência geralmente permanece preservada até estágios avançados. No caso clínico apresentado, o tempo de evolução de apenas duas semanas é um forte marcador para delirium ou causas secundárias, exigindo investigação imediata de fatores desencadeantes, como fármacos ou distúrbios metabólicos.

Por que a polifarmácia é um fator de risco crítico em geriatria?

Idosos apresentam alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas, como redução da depuração renal e aumento da sensibilidade do sistema nervoso central. A polifarmácia (uso de 5 ou mais medicamentos) aumenta exponencialmente o risco de interações medicamentosas e efeitos adversos. Medicamentos com propriedades anticolinérgicas, benzodiazepínicos e anti-hipertensivos são causas comuns de confusão mental aguda. Portanto, a revisão da lista de medicamentos é o primeiro passo obrigatório na avaliação de qualquer alteração comportamental ou cognitiva súbita nesta faixa etária.

Quando solicitar exames de imagem em casos de perda de memória?

Exames de imagem como Tomografia ou Ressonância Magnética do crânio são indicados no diagnóstico diferencial de demências para excluir causas estruturais (tumores, hematomas, hidrocefalia de pressão normal). No entanto, eles não devem ser o primeiro passo se houver uma suspeita clara de causa sistêmica ou medicamentosa (delirium). A prioridade inicial é estabilizar o paciente e remover o fator causal agudo. Se após a resolução do quadro agudo o déficit cognitivo persistir, a investigação de demência com exames laboratoriais e de imagem torna-se mandatória.

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