Manejo do Delirium no Idoso: Diagnóstico e Conduta

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Um idoso de 82 anos é admitido no hospital com diagnóstico de pneumonia. Durante a internação, ele apresenta alteração aguda do estado mental, com períodos de confusão, desorientação temporal e espacial, e agitação psicomotora. O paciente tem histórico de hipertensão e diabetes mellitus, além de apresentar sinais de desidratação. Com base nas recomendações para Delirium, identifique a sequência correta de ações a serem tomadas para manejo deste paciente.

Alternativas

  1. A) Realizar exames laboratoriais completos (hemograma, eletrólitos, glicemia, função renal, função hepática) e iniciar medicação com antipsicóticos atípicos em doses baixas. Aplicar o CAM (Confusion Assessment Method) para confirmação diagnóstica de delirium.
  2. B) Realizar exames laboratoriais, investigar e corrigir fatores precipitantes (ex.: desidratação, infecção) e evitar o uso de contenção física, mantendo vigilância rigorosa. Confirmar o diagnóstico aplicando o CAM e iniciar medidas de reorientação e otimização do ambiente.
  3. C) Administrar benzodiazepínicos para controle da agitação e evitar o uso de antipsicóticos devido ao risco de efeitos adversos em idosos. Iniciar reidratação intravenosa imediata e considerar a realização de neuroimagem para descartar lesão estrutural.
  4. D) Realizar sedação leve com dexmedetomidina para controlar a agitação, realizar exames laboratoriais e prescrever melatonina para regular o ciclo sono-vigília. Evitar antipsicóticos e encaminhar para UTI.

Pérola Clínica

Delirium → Tratar causa base + Medidas não farmacológicas (CAM para diagnóstico).

Resumo-Chave

O manejo do delirium foca na identificação de gatilhos (infecção, drogas, desidratação) e na reorientação ambiental, evitando contenção física.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome de falência cerebral aguda comum em idosos hospitalizados, frequentemente multifatorial. Fatores predisponentes (demência, privação sensorial) interagem com fatores precipitantes (infecções como pneumonia, distúrbios eletrolíticos, polifarmácia). A base do tratamento é a 'estratégia não farmacológica': manter o paciente orientado (calendários, relógios), garantir o uso de próteses auditivas/visuais, promover o ciclo sono-vigília e mobilização precoce. A investigação laboratorial deve ser exaustiva para encontrar a causa subjacente, enquanto o CAM garante a padronização diagnóstica.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de delirium à beira do leito?

O padrão-ouro clínico é o CAM (Confusion Assessment Method), que avalia quatro critérios: 1. Início agudo e curso flutuante; 2. Inatenção; 3. Pensamento desorganizado; 4. Alteração do nível de consciência. O diagnóstico requer a presença dos critérios 1 e 2, associados ao 3 ou ao 4.

Quando usar antipsicóticos no delirium?

Antipsicóticos (como haloperidol ou quetiapina) devem ser reservados apenas para pacientes com agitação grave que represente risco para si ou para terceiros, ou que impeça tratamentos essenciais, sempre na menor dose e pelo menor tempo possível.

Por que evitar a contenção física no idoso com delirium?

A contenção física aumenta o estresse, o risco de lesões, a agitação e está associada a maior tempo de internação e mortalidade. Deve-se priorizar a vigilância por acompanhantes e a reorientação constante.

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