Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Paciente de 82 anos, sexo masculino, portador de hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, controlados, e insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada, é trazido ao Pronto-Socorro após apresentar confusão mental, desorientação e alteração do nível de consciência ao longo das últimas 48 horas após alta hospitalar por internação por pneumonia, recebendo antibióticos por via intravenosa (Ertapenem e Claritromicina) por 14 dias, obtendo alta com Claritromicina oral por mais 7 dias. O exame físico revela sinais vitais estáveis, mas com episódios de taquiarritmia e hipotensão arterial de duração menores que sessenta segundos. A avaliação neurológica mostra que o paciente está desorientado em relação ao tempo e ao espaço, com dificuldade em manter a atenção durante a conversa. Os exames laboratoriais revelam uma leve elevação da creatinina sérica, sem outros achados significativos. Qual é a principal abordagem terapêutica a ser implementada para o manejo do delirium nesse paciente?
Delirium agudo no idoso → 1ª conduta: Identificar causas e revisar medicações (desprescrição).
A revisão da prescrição é a conduta prioritária no delirium, visando suspender fármacos deliriogênicos antes de considerar o uso de antipsicóticos.
O delirium é uma síndrome confusional aguda caracterizada por flutuação do nível de consciência e déficit de atenção, sendo comum em idosos hospitalizados. O manejo deve focar primariamente na identificação e reversão dos fatores precipitantes. No caso descrito, o paciente idoso apresentou delirium após o uso prolongado de antibióticos, com destaque para o Ertapenem.\n\nA abordagem terapêutica inicial não deve ser a sedação, mas sim a revisão minuciosa da prescrição para suspender fármacos potencialmente deliriogênicos. Além disso, medidas não farmacológicas são fundamentais: reorientação frequente, manutenção do ciclo sono-vigília e hidratação adequada. O uso de antipsicóticos deve ser reservado apenas para casos de agitação grave.
A primeira medida é a identificação e o tratamento dos fatores precipitantes, como infecções, distúrbios hidroeletrolíticos e, crucialmente, a revisão de medicamentos (desprescrição de drogas deliriogênicas). Medidas ambientais e de reorientação também são prioritárias.
Os carbapenêmicos, como o Ertapenem, possuem potencial neurotóxico, podendo causar confusão mental, encefalopatia e crises convulsivas, especialmente em idosos com função renal reduzida. A suspensão da droga é necessária se houver suspeita de toxicidade.
O uso de antipsicóticos (como haloperidol em doses baixas) deve ser restrito a pacientes com agitação psicomotora grave que represente risco iminente de queda, retirada de dispositivos médicos ou agressividade, e apenas após falha das medidas não farmacológicas.
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