Delirium no Idoso: Diagnóstico Diferencial e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma senhora de 85 anos de idade, tem visita domiciliar da Equipe de Saúde da Família (ESF) solicitada por sua cuidadora, pois há dois dias tem apresentado comportamento estranho. Fala coisas desconexas, teve alucinação visual e comporta-se de forma agressiva algumas vezes. A paciente faz seguimento regular com a ESF há 10 anos, atualmente com assistência domiciliar, pois está restrita ao lar, após uma queda sofrida há quatro anos. A médica da equipe conhece a paciente e sabe que ela nunca teve problemas cardiovasculares, cognitivos ou de saúde mental, e que não faz uso de medicamentos contínuos. No exame físico, mostra-se desorientada em relação ao tempo. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada, são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Quadro depressivo; tratamento medicamentoso com tricíclico e avaliação por psicólogo.
  2. B) Quadro infeccioso agudo; solicitação de raio X, exame de urina e hemograma para melhor avaliação.
  3. C) Demência de Alzheimer; encaminhamento para neurologista para realização de exames de imagem.
  4. D) Distúrbio de comportamento por transtorno psicótico; prescrição de antipsicótico e encaminhamento para psiquiatra.

Pérola Clínica

Início agudo + Flutuação + Alucinação no idoso = Delirium (buscar infecção!).

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome confusional aguda caracterizada por início súbito e flutuação do nível de consciência, frequentemente desencadeada por condições médicas subjacentes, como infecções, em pacientes idosos.

Contexto Educacional

O delirium é uma das síndromes geriátricas mais importantes e subdiagnosticadas. Ele está associado a um aumento significativo na morbidade, mortalidade e tempo de internação hospitalar. A apresentação pode ser hiperativa (agitação, alucinações), hipoativa (letargia, lentidão) ou mista. No caso clínico apresentado, a ausência de histórico cognitivo prévio e o início abrupto em dois dias apontam fortemente para delirium. Em idosos restritos ao lar, a infecção do trato urinário é o gatilho mais comum, justificando a investigação laboratorial imediata antes de considerar diagnósticos psiquiátricos primários ou demenciais.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente o delirium da demência?

A principal diferença reside no tempo de instalação e no nível de consciência. O delirium tem início agudo (horas ou dias), curso flutuante ao longo do dia e alteração do nível de atenção e consciência. Já a demência (como o Alzheimer) tem início insidioso, progressão lenta ao longo de anos e, nas fases iniciais, o nível de consciência e atenção costumam estar preservados. O delirium é uma emergência médica que indica um insulto orgânico agudo.

Por que infecções causam alterações comportamentais em idosos?

Idosos possuem menor reserva funcional cerebral. Processos infecciosos, mesmo sem febre (como ITUs ou pneumonias), liberam citocinas inflamatórias que atravessam a barreira hematoencefálica e interferem na neurotransmissão, especialmente no sistema colinérgico. Isso resulta em disfunção cerebral difusa, manifestando-se como delirium. Muitas vezes, a alteração do comportamento é o único sinal de uma infecção grave no idoso frágil.

Qual a conduta inicial diante de um idoso com delirium?

A conduta inicial deve focar na identificação e tratamento da causa desencadeante. Isso inclui uma anamnese detalhada, exame físico completo e exames complementares de rastreio (hemograma, eletrólitos, função renal, urina tipo I e urocultura, e radiografia de tórax). Simultaneamente, devem-se implementar medidas não farmacológicas, como reorientação temporal, manutenção do ciclo sono-vigília e hidratação adequada.

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