TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que um paciente idoso é encontrado extremamente agitado na enfermaria. Segundo o acompanhante, o idoso tem apresentado comportamento alterado desde a internação hospitalar. Sobre a principal abordagem desse paciente, assinale a alternativa incorreta:
Delirium → Tratar causa base; antipsicóticos apenas para agitação grave; NUNCA profiláticos.
O manejo do delirium foca na identificação da causa base e medidas não farmacológicas. O uso de antipsicóticos é reservado para sintomas psicóticos ou agitação que ofereça risco, sem indicação profilática.
O delirium é uma síndrome de disfunção cerebral aguda caracterizada por alterações flutuantes da consciência e atenção, sendo extremamente comum em idosos hospitalizados. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio de neurotransmissores, frequentemente desencadeado por insultos agudos em um cérebro vulnerável. O tratamento padrão-ouro é a identificação e correção dos fatores precipitantes, como infecções (ITU, pneumonia), desidratação ou dor. As intervenções não farmacológicas, como manutenção do ciclo sono-vigília e uso de próteses sensoriais, são fundamentais. O uso de neurolépticos como Haloperidol ou antipsicóticos atípicos (Quetiapina, Risperidona) deve ser restrito ao controle sintomático de curto prazo, nunca como manutenção ou prevenção, devido ao perfil de toxicidade nessa população.
Os antipsicóticos, como o Haloperidol em baixas doses, estão indicados apenas quando o paciente apresenta agitação psicomotora grave que coloca em risco a si mesmo ou a terceiros, ou quando há sintomas psicóticos angustiantes. Devem ser usados na menor dose possível e pelo menor tempo necessário, priorizando sempre a investigação da causa subjacente (infecções, distúrbios metabólicos, polifarmácia).
Não há evidências de que o uso profilático de antipsicóticos reduza a incidência ou a gravidade do delirium. Pelo contrário, o uso desnecessário aumenta o risco de efeitos adversos graves, como sintomas extrapiramidais, sedação excessiva, quedas e prolongamento do intervalo QT, podendo piorar o prognóstico do paciente idoso.
A contenção física deve ser evitada ao máximo, sendo considerada o último recurso. Ela está associada a um aumento do risco de lesões, maior agitação, úlceras por pressão e prolongamento do quadro de delirium. Medidas de reorientação, presença de acompanhante e adequação do ambiente são preferíveis e mais eficazes.
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