UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente feminina, de 78 anos, foi trazida à Emergência por sonolência excessiva há 5 dias, com diminuição da ingestão de líquidos e alimentos. Familiar referiu urina concentrada e malcheirosa. Tinha histórico de hipotireoidismo e dor crônica nos joelhos por osteoartrose e realizava acompanhamento ambulatorial por esquecimentos e diminuição de funcionalidade há 1 ano (não saía mais sozinha; em casa ainda conseguia desempenhar tarefas usuais). Fazia uso diário de levotiroxina (75 mg, há 5 anos) e amitriptilina (50 mg, há 2 anos). Ao exame físico, a paciente acordava ao ser chamada, porém adormecia em poucos segundos e respondia de forma confusa a perguntas simples. Não havia sinais neurológicos focais. Exame dos sistemas não revelou particularidades. Com base no quadro, assinale a assertiva correta
Idoso com alteração aguda da cognição + sonolência + infecção → Delirium hipoativo, investigar ITU.
O delirium em idosos, especialmente o hipoativo, pode se manifestar como sonolência e confusão, sendo infecções como a urinária causas comuns. Medicamentos como amitriptilina podem precipitar ou agravar o quadro devido aos seus efeitos anticolinérgicos.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção e da consciência. É extremamente comum em idosos hospitalizados e na emergência, sendo um preditor independente de desfechos adversos. O subtipo hipoativo, como o apresentado na questão, é frequentemente subdiagnosticado por se manifestar com sonolência e letargia, sendo confundido com depressão ou demência. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina) e inflamação sistêmica. Causas comuns incluem infecções (como a infecção do trato urinário, que pode ser atípica em idosos), medicamentos (especialmente anticolinérgicos como a amitriptilina), desidratação, distúrbios metabólicos e dor. O diagnóstico é clínico, baseado na história aguda e flutuante, e pode ser auxiliado por ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). O manejo do delirium foca no tratamento da causa subjacente, otimização do ambiente e suporte geral. É crucial revisar a medicação do paciente, suspender ou ajustar fármacos potencialmente delirogênicos e garantir hidratação e nutrição adequadas. O reconhecimento precoce e a intervenção são essenciais para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade associada.
Os principais sinais incluem sonolência excessiva, letargia, diminuição da atividade psicomotora, fala lentificada e confusão mental, muitas vezes confundidos com depressão ou piora de demência devido à sua apresentação sutil.
Idosos têm uma resposta inflamatória sistêmica mais atenuada e barreiras hematoencefálicas mais permeáveis, tornando-os mais suscetíveis a manifestações neurológicas de infecções, como o delirium, mesmo na ausência de febre ou sintomas urinários clássicos.
A amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, possui potentes efeitos anticolinérgicos que podem precipitar ou agravar o delirium em idosos, especialmente naqueles com comorbidades, polifarmácia ou disfunção cognitiva prévia, devido à sua ação no sistema nervoso central.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo