Delirium: Fisiopatologia e Causas de Disfunção Cerebral

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024

Enunciado

O delirium é uma síndrome clínica caracterizada por distúrbio de consciência e da cognição, composto por desatenção e pensamento desorganizado. Nele, ocorre disfunção cerebral, sendo um evento comum em pacientes idosos e hospitalizados, principalmente naqueles internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A respeito da fisiopatologia dessa síndrome, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Nele ocorrem alterações de neurotransmissores, com diminuição da função dopaminérgica e aumento da colinérgica.
  2. B) Podem ocorrer lesões neuronais por insultos metabólicos ou insultos isquêmicos.
  3. C) Citocinas inflamatórias atravessam a barreira hematoencefálica e causam aumento do fluxo cerebral, principalmente no delirium hiperativo.
  4. D) A ativação do sistema hipotálamo-hipófise-adrenal, com liberação do cortisol, não possui relação com o comprometimento cognitivo do delirium.

Pérola Clínica

Delirium → disfunção cerebral por insultos metabólicos/isquêmicos, desequilíbrio neurotransmissores (↓ colinérgico, ↑ dopaminérgico).

Resumo-Chave

A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo disfunção neuronal aguda. Insultos metabólicos (ex: hipóxia, hipoglicemia) e isquêmicos são causas diretas de lesão neuronal, contribuindo para o quadro de disfunção cerebral e alterações cognitivas.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio de consciência, atenção e cognição. É um evento comum e grave em pacientes hospitalizados, especialmente idosos e aqueles em UTI, associado a piores desfechos clínicos, maior tempo de internação e aumento da mortalidade. Sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais na prática clínica. A fisiopatologia do delirium é multifatorial e complexa, envolvendo uma interação de fatores predisponentes e precipitantes. Os mecanismos incluem alterações nos sistemas de neurotransmissores (principalmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico), inflamação sistêmica que afeta a barreira hematoencefálica, estresse oxidativo e disfunção neuronal direta por insultos metabólicos (como hipóxia, hipoglicemia, desequilíbrios eletrolíticos) ou isquêmicos. Essas agressões levam a uma disfunção cerebral aguda, manifestada pelos sintomas do delirium. O tratamento do delirium foca na identificação e correção das causas subjacentes, além de medidas de suporte e manejo dos sintomas. A prevenção é fundamental, com estratégias como mobilização precoce, otimização do sono, correção de déficits sensoriais e hidratação adequada. O prognóstico varia, mas o delirium pode ter consequências a longo prazo, incluindo declínio cognitivo persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais mecanismos fisiopatológicos do delirium?

O delirium envolve disfunção cerebral aguda, com alterações de neurotransmissores (diminuição colinérgica, aumento dopaminérgica), inflamação sistêmica e lesões neuronais por insultos metabólicos ou isquêmicos.

Por que o delirium é mais comum em idosos e pacientes de UTI?

Idosos e pacientes de UTI são mais vulneráveis devido à reserva cerebral reduzida, polifarmácia, comorbidades, inflamação sistêmica e múltiplos fatores estressores que predispõem à disfunção cerebral.

Como os insultos metabólicos contribuem para o delirium?

Insultos metabólicos como hipóxia, hipoglicemia, desequilíbrios eletrolíticos e uremia podem levar à disfunção neuronal e lesão celular, comprometendo a função cerebral e resultando em delirium.

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