Delirium em Idosos: Diagnóstico, Tipos e Prevenção

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Delirium é um estado confusional agudo caracterizado por uma alteração da consciência com capacidade reduzida de focar, sustentar ou mudar a atenção. Sobre esta patologia, assinale a alternativa que traz uma informação FALSA:

Alternativas

  1. A) O uso de protocolos de orientação dentro das unidades de internação como relógios, calendários, janelas que permitam visualizar o ambiente externo e estimulo sensorial são ações de prevenção ao delirium.
  2. B) A dor pode ser fator desencadeante para o delirium e o seu manejo deve preferencialmente não usar opioides.
  3. C) Delirium hiperativo é uma das faces da manifestação clínica deste distúrbio e, por ser a forma mais frequente em idosos internados, o uso de haloperidol ou de antipsicóticos atípicos pode ser necessário para controle do quadro.
  4. D) Não existe evidências que suportem o uso de medicações para prevenção do delirium em ambientes de alto risco.

Pérola Clínica

Delirium em idosos: forma Hipoativa é a mais comum e subdiagnosticada.

Resumo-Chave

O delirium é uma disfunção cerebral aguda multifatorial; a prevenção baseia-se em medidas não farmacológicas, e a forma hipoativa predomina no idoso.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda caracterizada por flutuação do nível de consciência e déficit de atenção. É extremamente comum em idosos hospitalizados, associando-se a maior tempo de internação, declínio funcional e mortalidade. A fisiopatologia envolve neuroinflamação e desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico. O diagnóstico é clínico, frequentemente auxiliado pela ferramenta Confusion Assessment Method (CAM). É fundamental diferenciar o delirium da demência: o primeiro tem início agudo e curso flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva. O tratamento foca na identificação e correção dos fatores desencadeantes (infecções, distúrbios hidroeletrolíticos, dor, drogas) e suporte ambiental.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre delirium hipoativo e hiperativo?

O delirium hiperativo manifesta-se com agitação psicomotora, alucinações e agressividade, sendo facilmente reconhecido. Já o delirium hipoativo caracteriza-se por letargia, lentificação motora e apatia; é a forma mais comum em idosos e frequentemente confundida com depressão ou demência, resultando em maior mortalidade por ser menos diagnosticada.

Como prevenir o delirium no ambiente hospitalar?

A prevenção é baseada em intervenções multicomponentes não farmacológicas: reorientação constante (calendários, relógios), preservação do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, correção de déficits sensoriais (uso de óculos e aparelhos auditivos) e revisão de polifarmácia (evitar benzodiazepínicos e anticolinérgicos).

Quando utilizar antipsicóticos no delirium?

O uso de antipsicóticos (como haloperidol ou quetiapina) deve ser reservado apenas para casos de delirium hiperativo com agitação grave que coloque em risco o paciente ou a equipe, ou em casos de sofrimento intenso por alucinações. Não há evidência para o uso profilático de medicações na prevenção do delirium.

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