TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Delirium é um estado confusional agudo caracterizado por uma alteração da consciência com capacidade reduzida de focar, sustentar ou mudar a atenção. Sobre esta patologia, assinale a alternativa que traz uma informação FALSA:
Delirium em idosos: forma Hipoativa é a mais comum e subdiagnosticada.
O delirium é uma disfunção cerebral aguda multifatorial; a prevenção baseia-se em medidas não farmacológicas, e a forma hipoativa predomina no idoso.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda caracterizada por flutuação do nível de consciência e déficit de atenção. É extremamente comum em idosos hospitalizados, associando-se a maior tempo de internação, declínio funcional e mortalidade. A fisiopatologia envolve neuroinflamação e desequilíbrio de neurotransmissores, especialmente deficiência colinérgica e excesso dopaminérgico. O diagnóstico é clínico, frequentemente auxiliado pela ferramenta Confusion Assessment Method (CAM). É fundamental diferenciar o delirium da demência: o primeiro tem início agudo e curso flutuante, enquanto a demência é crônica e progressiva. O tratamento foca na identificação e correção dos fatores desencadeantes (infecções, distúrbios hidroeletrolíticos, dor, drogas) e suporte ambiental.
O delirium hiperativo manifesta-se com agitação psicomotora, alucinações e agressividade, sendo facilmente reconhecido. Já o delirium hipoativo caracteriza-se por letargia, lentificação motora e apatia; é a forma mais comum em idosos e frequentemente confundida com depressão ou demência, resultando em maior mortalidade por ser menos diagnosticada.
A prevenção é baseada em intervenções multicomponentes não farmacológicas: reorientação constante (calendários, relógios), preservação do ciclo sono-vigília, mobilização precoce, correção de déficits sensoriais (uso de óculos e aparelhos auditivos) e revisão de polifarmácia (evitar benzodiazepínicos e anticolinérgicos).
O uso de antipsicóticos (como haloperidol ou quetiapina) deve ser reservado apenas para casos de delirium hiperativo com agitação grave que coloque em risco o paciente ou a equipe, ou em casos de sofrimento intenso por alucinações. Não há evidência para o uso profilático de medicações na prevenção do delirium.
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