Delirium no Idoso: Diagnóstico e Manejo Clínico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um homem de 75 anos de idade é trazido pela filha com história de comportamento anormal há sete dias. Havia chegado da fazenda, onde administra suas propriedades; dormiu e acordou desorientado. Passou a perambular pela casa sem reconhecer pessoas, dirigindo-se à porta da rua para sair. Apresentou evacuações e diurese sem ir ao banheiro e dificuldade para despir-se, necessitando ser higienizado pela filha. Morando no andar superior da casa, passou a apresentar algum grau de dificuldade ao descer as escadas, tendo de ser ajudado. Come com lentidão, neces- sitando que o alimento lhe seja dado. É hipertenso e toma medicações há 13 anos. Teve retenção urinária há 10 dias, por hipertrofia prostática, necessitando de sondagem de alívio. Não refere febre. Ao exame físico: paciente vígil, porém desatento, sem alterações aparentes de humor, responde com lentidão às perguntas, o hesita ao deambular e sentar. Temperatura = 37,5°C, pulso radial = 110 bpm, pressão arterial = 140 x 80 mmHg. Exame neurológico: hesitação aos movimentos e tremores finos, ausentes em repouso e desencadeados pelo movimento. Sem rigidez. Marcha hesitante. Reflexos osteotendíneos sem alterações. Demais aspectos do exame físico inalterados. O diagnóstico mais compatível com o quadro é:

Alternativas

  1. A) Demência vascular.
  2. B) Doença de Alzheimer.
  3. C) Doença de Parkinson.
  4. D) Estado confusional agudo.
  5. E) Demência por déficit de Vit B12.

Pérola Clínica

Início agudo + flutuação + desatenção = Delirium (investigar causa orgânica subjacente).

Resumo-Chave

O delirium é uma emergência médica caracterizada por alteração aguda da consciência e atenção, geralmente desencadeada por insultos sistêmicos em pacientes vulneráveis.

Contexto Educacional

O delirium é uma das síndromes geriátricas mais prevalentes em ambiente hospitalar e de urgência, associada a maior mortalidade e declínio funcional. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio neuroquímico, com redução da atividade colinérgica e excesso dopaminérgico, frequentemente exacerbado por processos inflamatórios sistêmicos. O reconhecimento precoce é vital, pois a condição é potencialmente reversível se a causa base for tratada. No manejo, a prioridade é a identificação e correção do fator causal (neste caso, investigar ITU ou complicações da hipertrofia prostática). Medidas não farmacológicas, como reorientação constante, manutenção do ciclo sono-vigília e hidratação, são a primeira linha de tratamento. O uso de antipsicóticos deve ser reservado apenas para casos de agitação severa que coloque em risco o paciente ou a equipe.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Delirium de Demência na prática clínica?

A principal diferença reside no tempo de instalação e no nível de consciência. O delirium tem início agudo (horas ou dias), curso flutuante e compromete severamente a atenção e o nível de consciência. Já a demência apresenta um declínio insidioso e progressivo (meses ou anos), com nível de consciência preservado nas fases iniciais. No caso clínico apresentado, o início em sete dias e a desorientação súbita após um evento (provável infecção urinária por retenção) apontam fortemente para delirium.

Quais são os principais fatores precipitantes de delirium em idosos?

Os fatores são multifatoriais, frequentemente divididos em predisponentes (idade avançada, déficit cognitivo prévio) e precipitantes. Entre os precipitantes mais comuns estão infecções (especialmente urinárias e pulmonares), desequilíbrios hidroeletrolíticos, polifarmácia (benzodiazepínicos, anticolinérgicos), dor aguda, retenção urinária ou fecal e privação de sono. No caso, a história de retenção urinária e sondagem recente são gatilhos clássicos.

Qual a importância do critério de desatenção no diagnóstico de delirium?

A desatenção é o componente central e mais sensível para o diagnóstico de delirium. Ela se manifesta pela incapacidade do paciente em manter o foco, seguir instruções simples ou manter uma conversa coerente. O Confusion Assessment Method (CAM) exige obrigatoriamente a presença de início agudo/curso flutuante E desatenção, somados a pensamento desorganizado OU alteração do nível de consciência para fechar o diagnóstico.

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