Delirium em Idosos: Diagnóstico e Fatores de Risco

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 70 anos internado na enfermaria de clínica médica para tratamento de pneumonia adquirida na comunidade (PAC), com antecedente prévio de doença de Alzheimer e uso de aparelho auditivo, iniciou quadro de alteração do nível de consciência há 1 dia. Apresenta dificuldade de concentração, facilmente sendo distraído, com pensamento desorganizado, alternando entre estado de hiperalerta e sonolência. A respeito do quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Caso o quadro apresentasse de instalação abrupta, flutuante em 24 horas, com consciência e orientação flutuantes, poderíamos pensar em doença psiquiátrica ou do próprio quadro demencial.
  2. B) Há intervenções que podem ser realizadas para todos os pacientes, como a utilização de difenidramina, benzodiazepínicos para alívio de agitação e tratamento de condições coexistentes que podem precipitar o quadro (ex. utilização do aparelho auditivo e presença de familiar na internação).
  3. C) Paciente apresenta um quadro de delirium; sendo assim, não necessário realizar triagem infecciosa, como hemograma, avaliação hidroeletrolítica e exame toxicológico.
  4. D) O paciente apresenta um diagnóstico clínico de delirium, apresentando fatores de risco na história clínica e todos os critérios do CAM (Confusion Assesment Method) presentes.

Pérola Clínica

Idoso hospitalizado com alteração aguda e flutuante da consciência, desatenção, pensamento desorganizado → Delirium, confirmado por CAM.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de delirium, caracterizado por início agudo, curso flutuante, desatenção e pensamento desorganizado, em um paciente idoso com múltiplos fatores de risco (idade, internação, PAC, Alzheimer). Os critérios do CAM (Confusion Assessment Method) estão claramente presentes, confirmando o diagnóstico clínico.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por alteração da atenção, consciência e cognição. É uma condição comum em pacientes idosos hospitalizados, com alta morbidade e mortalidade, sendo crucial para residentes reconhecerem e manejarem adequadamente, pois frequentemente indica uma doença subjacente grave. O diagnóstico de delirium é clínico e pode ser confirmado pelo Confusion Assessment Method (CAM), que avalia o início agudo e curso flutuante, desatenção, pensamento desorganizado e alteração do nível de consciência. O paciente da questão apresenta todos esses critérios, além de fatores de risco como idade avançada, doença de Alzheimer pré-existente e uma infecção aguda (Pneumonia Adquirida na Comunidade - PAC), que é um precipitante comum. O manejo do delirium envolve a identificação e tratamento da causa subjacente (neste caso, a pneumonia e outros possíveis fatores como desidratação ou distúrbios eletrolíticos), além de medidas de suporte e não farmacológicas (reorientação, ambiente calmo, mobilização precoce, uso de óculos/aparelhos auditivos). É fundamental evitar medicamentos que possam piorar o quadro, como difenidramina e benzodiazepínicos, que são incorretamente sugeridos em algumas alternativas, pois podem exacerbar a confusão e a agitação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do Confusion Assessment Method (CAM) para diagnóstico de delirium?

Os critérios do CAM são: 1) Início agudo e curso flutuante; 2) Desatenção; 3) Pensamento desorganizado; 4) Alteração do nível de consciência. O diagnóstico requer a presença dos critérios 1 e 2, mais o critério 3 ou 4.

Quais são os principais fatores de risco para delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente (como Alzheimer), polifarmácia, desidratação, infecções (como pneumonia), cirurgias, privação de sono, distúrbios metabólicos, dor não controlada e uso de certos medicamentos.

Qual a importância de identificar e tratar a causa subjacente do delirium?

O delirium é uma manifestação de uma condição médica subjacente grave. Identificar e tratar a causa (ex: infecção, desidratação, desequilíbrio eletrolítico) é fundamental para a resolução do quadro, para prevenir complicações e para melhorar o prognóstico do paciente.

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