Delirium em Idosos: Diagnóstico e Investigação de Causas

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 88 anos de idade, internada na enfermaria de Clínica Médica por, há 4 dias, apresentar dispneia e febre de 38,5°C. Realizado diagnóstico de pneumonia de comunidade, em tratamento há 3 dias com ceftriaxona e claritromicina, por via endovenosa. Paciente evoluiu inicialmente com melhora da dispneia e ficou afebril por 48 horas. Hoje, encontra-se desorientada no tempo e no espaço, com alteração do ciclo sono-vigília, passando a maior parte do tempo imóvel, no leito, não reconhecendo familiares. Encontra-se sem queixas respiratórias e afebril. Exame clínico sem outras alterações. Diante da nova hipótese diagnóstica, a conduta neste momento é:

Alternativas

  1. A) Escalonar antibioticoterapia empiricamente, com piperaciclina-tazobactam 4,5g, por via endovenosa, de 6/6 horas.
  2. B) Solicitar nova tomografia computadorizada de tórax, gasometria arterial e coleta de novos pares de hemoculturas.
  3. C) Prescrever haloperidol 1mg VO de 12 em 12 horas. Caso a paciente apresente agitação, usar haloperidol 5mg IM.
  4. D) Solicitar função renal, eletrólitos, hemograma, urinálise, glicose e eletrocardiograma.E) 
  5. E) Prescrever quetiapina 50mg VO de 8 em 8 horas. Caso a paciente apresente agitação, usar haloperidol 5mg IM.

Pérola Clínica

Delirium em idosos: investigar causas reversíveis (infecção, metabólico, fármacos, desidratação).

Resumo-Chave

A paciente idosa, com melhora da pneumonia, apresenta um quadro agudo de desorientação, alteração do ciclo sono-vigília e hipoatividade, que é altamente sugestivo de delirium. Em idosos, o delirium é multifatorial e frequentemente desencadeado por infecções, distúrbios metabólicos, desidratação, efeitos adversos de medicamentos ou alterações ambientais. A conduta inicial é investigar as causas subjacentes.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como estado confusional agudo, é uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da consciência, com disfunção cognitiva. É particularmente comum em pacientes idosos hospitalizados, sendo um marcador de fragilidade e associado a piores desfechos, como aumento da mortalidade, tempo de internação e institucionalização. A sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais na prática clínica. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios de neurotransmissores (especialmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e vulnerabilidade cerebral pré-existente. Em idosos, fatores precipitantes comuns incluem infecções (como a pneumonia do caso), distúrbios metabólicos (desidratação, hipo/hiperglicemia, distúrbios eletrolíticos), polifarmácia, dor, privação de sono e alterações ambientais. O quadro clínico pode ser hiperativo (agitação), hipoativo (letargia, imobilidade, como no caso) ou misto. A conduta inicial diante de um quadro de delirium é a investigação exaustiva das causas reversíveis. Isso inclui uma revisão completa da medicação, avaliação de sinais vitais, exame físico detalhado e exames laboratoriais como hemograma, função renal, eletrólitos, glicemia e urinálise. Outros exames podem ser necessários dependendo da suspeita clínica. O tratamento é primariamente direcionado à causa subjacente, com medidas não farmacológicas sendo a base do manejo. O uso de antipsicóticos (como haloperidol) deve ser restrito a casos de agitação grave que representem risco, sempre com cautela devido aos efeitos adversos em idosos.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas do delirium em idosos?

O delirium em idosos se manifesta por alteração aguda e flutuante da atenção e consciência, desorientação, alteração do ciclo sono-vigília e, por vezes, distúrbios psicomotores (hipo ou hiperativo). É um quadro agudo e reversível.

Quais exames laboratoriais devem ser solicitados na investigação de delirium?

Na investigação de delirium, exames como hemograma, função renal, eletrólitos (sódio, potássio, cálcio), glicemia, urinálise, culturas (se suspeita de infecção) e, por vezes, ECG e gasometria, são essenciais para identificar causas metabólicas, infecciosas ou cardíacas.

Qual a conduta inicial para o manejo do delirium em idosos?

A conduta inicial é identificar e tratar a causa subjacente do delirium. Medidas não farmacológicas, como reorientação, ambiente calmo, hidratação e correção de distúrbios sensoriais, são prioritárias. O uso de fármacos é reservado para agitação grave que coloque o paciente ou outros em risco.

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