Delirium em Idosos: Manejo da Agitação com Haloperidol

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 85 anos, portadora de síndrome da fragilidade e hipertensão arterial sistêmica. Interna devido a pneumonia e evolui, no segundo dia de internação, com agitação e confusão mental. Ao exame físico: REG, confusa, desidratada 1+/4+. PA: 149 x 68 mmHg, FC 92 bpm, FR: 18 irpm, satO₂: 94% com cateter nasal a 2 L/min. Ausculta pulmonar: MV presente, com roncos de transmissão difusos. Ausculta cardíaca sem alterações. Abdome doloroso à palpação difusa, sem massas ou visceromegalias palpáveis.Em relação à alteração comportamental, qual é o tratamento medicamentoso mais adequado?

Alternativas

  1. A) Diazepam.
  2. B) Clorpromazina.
  3. C) Clonazepam.
  4. D) Haloperidol

Pérola Clínica

Delirium em idosos → investigar causas subjacentes e tratar agitação com Haloperidol em baixas doses.

Resumo-Chave

O delirium é uma emergência geriátrica comum, caracterizada por alteração aguda e flutuante da atenção e cognição. Em idosos frágeis, infecções e desidratação são gatilhos frequentes. O tratamento primário é da causa base, mas a agitação pode ser controlada com haloperidol, evitando benzodiazepínicos que podem piorar o quadro.

Contexto Educacional

O delirium, também conhecido como estado confusional agudo, é uma alteração neuropsiquiátrica comum em idosos hospitalizados, caracterizada por uma disfunção aguda e flutuante da atenção, consciência e cognição. É uma condição multifatorial, frequentemente precipitada por doenças agudas (como infecções, desidratação, distúrbios metabólicos), polifarmácia e estresse cirúrgico, especialmente em pacientes com síndrome da fragilidade e comorbidades preexistentes. O reconhecimento precoce do delirium é crucial, pois está associado a piores desfechos, incluindo maior mortalidade, tempo de internação prolongado e declínio funcional. O diagnóstico do delirium é clínico, baseado na observação de uma alteração aguda no estado mental, flutuação dos sintomas, desatenção e pensamento desorganizado ou alteração do nível de consciência. A investigação da causa subjacente é a pedra angular do manejo, buscando e tratando fatores precipitantes como infecções (pneumonia, ITU), desidratação, desequilíbrios eletrolíticos, hipóxia ou efeitos adversos de medicamentos. A agitação psicomotora é uma manifestação comum e desafiadora do delirium, exigindo intervenção para garantir a segurança do paciente e da equipe. O tratamento medicamentoso da agitação no delirium deve ser cauteloso e individualizado. O haloperidol, um antipsicótico de primeira geração, é frequentemente a primeira escolha devido à sua eficácia no controle da agitação e menor risco de hipotensão e efeitos anticolinérgicos em doses baixas. Deve-se iniciar com a menor dose eficaz e titular conforme a necessidade. Benzodiazepínicos são geralmente contraindicados, pois podem agravar a confusão e a sedação. Além da farmacoterapia, medidas não farmacológicas, como reorientação, ambiente calmo, hidratação adequada e mobilização precoce, são essenciais para o manejo do delirium e prevenção de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para delirium em idosos?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, síndrome da fragilidade, comorbidades múltiplas, polifarmácia, infecções (como pneumonia), desidratação, cirurgias, privação de sono e alterações sensoriais.

Por que o haloperidol é o tratamento de escolha para agitação no delirium?

O haloperidol é um antipsicótico de alta potência com menor efeito anticolinérgico e sedativo em comparação com outros antipsicóticos de primeira geração, sendo eficaz no controle da agitação e sintomas psicóticos do delirium com doses baixas.

Quais medicamentos devem ser evitados no tratamento da agitação em pacientes com delirium?

Benzodiazepínicos, como diazepam e clonazepam, devem ser evitados ou usados com extrema cautela, pois podem piorar a confusão, aumentar a sedação e prolongar o delirium, especialmente em idosos.

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