Delineamento de Estudo: Entenda a Coorte Histórica

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Objetivos: Caracterizar a população do estudo, estimar a taxa de letalidade intra-hospitalar por estado e analisar fatores associados aos óbitos por COVID-19. Métodos: Foi realizado estudo [com] crianças e adolescentes hospitalizados com diagnóstico de COVID-19 confirmado por transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase (RT-PCR), tendo como desfecho óbito por COVID-19 ou recuperação, entre 1º de março e 1º de agosto de 2020. A fonte de dados foi o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), ao qual são notificados pacientes internados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Consideraram-se crianças os pacientes com idade entre 0 e 11 anos completos e adolescentes aqueles com idade entre 12 e 18 anos completos. Realizou-se análise bi e multivariável por meio de Regressão de Poisson com variância robusta [...]. Resultados: Dos 4.930 casos analisados, 2.553 (51,8%) eram do sexo masculino. A raça/cor autodeclarada parda foi a mais frequente, com 2.335 (47,4%). A unidade federativa de Roraima apresentou a maior taxa de letalidade intra-hospitalar, com 68,8% (n = 11/16). A análise multivariada mostrou que pertencer ao grupo etário adolescente (RR = 1,59; IC95% 1,12 - 2,25; p = 0,009), ter sido classificado como SRAGcrítico (RR = 4,56; IC95% 2,77 - 7,51; p < 0,001) e apresentar imunopatia (RR = 2,24; IC95% 1,58 - 3,17; p < 0,001) como comorbidade configuraram- se como fatores associados ao óbito pela COVID-19 (Fonte: Gomes et al. Rev. Bras. Epidemiol2021; 24: E210026). O estudo epidemiológico apresentado possui delineamento do tipo:

Alternativas

  1. A) Transversal.
  2. B) Descritivo.
  3. C) Coorte histórica.
  4. D) Ecológico.
  5. E) Caso-controle.

Pérola Clínica

Estudo que acompanha retrospectivamente um grupo de indivíduos (coorte) para desfechos futuros = coorte histórica.

Resumo-Chave

Um estudo de coorte histórica (ou retrospectiva) identifica um grupo de indivíduos (coorte) e, utilizando dados já existentes, acompanha-os no tempo para observar a ocorrência de desfechos. Neste caso, os dados do SIVEP-Gripe já existiam e foram analisados para desfechos de COVID-19.

Contexto Educacional

O delineamento de estudos epidemiológicos é fundamental para a compreensão da validade e aplicabilidade dos resultados de pesquisas científicas. Entre os diversos tipos, os estudos de coorte são observacionais e longitudinais, acompanhando um grupo de indivíduos ao longo do tempo para observar a ocorrência de desfechos. Um estudo de coorte histórica, também conhecido como coorte retrospectiva, utiliza dados já existentes (como prontuários ou bancos de dados) para identificar uma coorte e acompanhar sua evolução no passado até o presente, ou até um desfecho específico. Isso permite investigar a relação entre exposições e desfechos sem a necessidade de coleta de dados primários prospectivamente. No exemplo dado, os pesquisadores utilizaram o SIVEP-Gripe, um sistema de dados já estabelecido, para identificar crianças e adolescentes hospitalizados com COVID-19 e analisar fatores associados ao óbito. Essa abordagem retrospectiva, partindo da exposição (COVID-19) para o desfecho (óbito ou recuperação) em dados passados, caracteriza um estudo de coorte histórica, crucial para residentes na interpretação de evidências.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre coorte histórica e coorte prospectiva?

Na coorte prospectiva, os indivíduos são acompanhados a partir do presente para o futuro, coletando-se novos dados. Na coorte histórica, os dados já existem (registros) e o acompanhamento é feito retrospectivamente.

Quais as vantagens de um estudo de coorte histórica?

Vantagens incluem menor custo e tempo, possibilidade de estudar desfechos raros e múltiplas exposições, e a capacidade de estabelecer temporalidade entre exposição e desfecho.

Quando um estudo de caso-controle seria mais apropriado?

Um estudo de caso-controle é mais apropriado para doenças raras ou com longo período de latência, pois parte dos indivíduos com a doença (casos) e compara sua exposição com um grupo sem a doença (controles).

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