Deiscência de Sutura Gástrica: Reconhecimento e Conduta Urgente

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 58 anos está no 5° pós-operatório de ulcerorrafia gástrica, com patch de omento. Refere dor abdominal de forte intensidade e mal-estar geral. Pulso: 120 bpm, PA: 90 x 50 mmHg, temperatura: 37,2°C. Ao exame, o abdome apresenta distensão, doloroso a palpação profunda difusamente. Dreno abdominal com saída de 950 ml de líquido bilioso nas últimas 24 horas. Conduta mais adequada no momento é:

Alternativas

  1. A) Nutrição parenteral total e observação clínica rigorosa, sonda nasogástrica e antibioticoterapia;
  2. B) Jejum, sonda nasogástrica aberta e antibioticoterapia. Realizar tomografia para diagnóstico e drenagem de eventuais coleções não contempladas pelo dreno;
  3. C) Nova abordagem cirúrgica;
  4. D) Endoscopia para confirmação da provável deiscência da sutura e planejamento cirúrgico;
  5. E) Exames laboratoriais e tomografia de abdome com contraste oral, para confirmar a suspeita diagnóstica.

Pérola Clínica

Pós-op abdominal com dor intensa, instabilidade hemodinâmica e débito bilioso pelo dreno → Suspeita de deiscência/fístula → Reabordagem cirúrgica URGENTE.

Resumo-Chave

Um paciente no pós-operatório de cirurgia gástrica que desenvolve dor abdominal intensa, instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e débito bilioso significativo pelo dreno abdominal apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de deiscência da sutura ou fístula digestiva. Esta é uma complicação grave que pode levar à peritonite e sepse, exigindo uma reabordagem cirúrgica imediata para controle da contaminação e reparo.

Contexto Educacional

A deiscência de sutura gástrica é uma complicação pós-operatória grave, com alta morbidade e mortalidade, especialmente após procedimentos como ulcerorrafia. Ela ocorre quando a linha de sutura se rompe, permitindo o extravasamento de conteúdo gástrico ou intestinal para a cavidade peritoneal, levando a peritonite e sepse. A incidência varia dependendo do tipo de cirurgia e fatores de risco do paciente, mas é sempre uma preocupação significativa em cirurgias digestivas. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para o prognóstico do paciente. A fisiopatologia envolve fatores como tensão excessiva na sutura, isquemia tecidual, infecção, desnutrição, uso de corticosteroides e comorbidades do paciente. Clinicamente, o paciente apresenta piora súbita do quadro, com dor abdominal intensa, distensão, sinais de resposta inflamatória sistêmica (febre, taquicardia) e, frequentemente, instabilidade hemodinâmica (hipotensão), indicando choque séptico. O débito de líquido bilioso ou entérico pelo dreno abdominal é um sinal patognomônico de fístula. A conduta mais adequada diante de um quadro clínico tão grave é a reabordagem cirúrgica de emergência. O objetivo é controlar a fonte de contaminação, realizar lavagem exaustiva da cavidade abdominal, e tentar o reparo da deiscência ou a criação de uma derivação para desviar o fluxo. Exames de imagem, como a tomografia, podem confirmar o diagnóstico, mas não devem atrasar a cirurgia em pacientes instáveis. O manejo pós-operatório inclui suporte intensivo, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte nutricional. A prevenção envolve técnica cirúrgica cuidadosa e otimização das condições do paciente antes da cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de deiscência de sutura gástrica no pós-operatório?

Os sinais incluem dor abdominal intensa e difusa, distensão abdominal, febre, taquicardia, hipotensão (sinais de choque), e débito de conteúdo entérico ou bilioso pelo dreno abdominal. O paciente geralmente apresenta mal-estar geral e piora progressiva do estado clínico.

Por que a reabordagem cirúrgica é a conduta mais adequada nesse cenário?

A reabordagem cirúrgica é necessária para controlar a fonte de contaminação (fístula digestiva com extravasamento de conteúdo para a cavidade abdominal), realizar lavagem da cavidade, reparar a deiscência ou criar uma derivação, e garantir a drenagem adequada. A peritonite e a sepse resultantes são emergências que exigem intervenção cirúrgica imediata.

Quais exames complementares podem auxiliar no diagnóstico de deiscência, mas não devem atrasar a cirurgia?

Exames como tomografia computadorizada de abdome com contraste oral podem confirmar a presença de extravasamento e coleções. No entanto, em pacientes instáveis com sinais claros de peritonite e sepse, esses exames não devem atrasar a indicação de reabordagem cirúrgica, que é prioritária para salvar a vida do paciente.

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